Jamais minta para o seu público

Acredite. Por mais óbvio que essa dica possa parecer, isso é mais comum do se imagina!

Por @cristianoweb - Em 29.04.2016


Num projeto não muito distante, eu tive um cliente que me contratou para fazer várias peças visuais para o seu site, e dentre elas, um mídia-kit. O site não era grande, eles estavam começando a criar um plano de publicidade, e o meu papel além de designer, era justamente fazer uma consultoria dos melhores formatos para que eles pudessem começar a comercializar os espaços publicitários e conteúdos ‘publieditoriais’, e aí que entrava a peça visual que eu criaria, o mídia-kit.

A ideia era passar rapidamente aos possíveis anunciantes os principais números de acesso do site e das redes sociais, e no fim, os formatos e as condições de pagamento.

Tudo normal, tudo muito bem, se não fosse uma mentirinha inocente!

Fiz a primeira versão da peça usando os dados de acesso do site, que eram bem baixo ainda, e os dados das redes sociais Youtube, Instagram e claro, Facebook. A página tinha um bom número de fãs, com um engajamento bem satisfatório (50k na época), e usei os dados para ilustrar o mídia-kit sem o menor problema.

A questão é que o cliente queria que eu usasse os dados do Facebook de alcance (187k), uma vez que ele impulsionava suas menções regularmente, como se fosse o número absoluto de fãs. Além disso, ele também queria que eu usasse os dados de ‘views’ dos vídeos (700k) que eram publicados no Facebook transferindo para o Youtube (4k)!

Como assim cara-pálida?

Claro que eu não fiz as alterações sugeridas, e acreditem, tive que brigar durante duas horas para chegar no formato final do mídia-kit. Tive que contar para eles que aqui onde eu moro existe um vendedor ambulante que passa toda semana na porta das casas vendendo legumes num carrinho de mão, entoando um famoso bordão:

Aipim, quiabo e maxixe fresquinho, está acabando, vem logo que está acabando.

Contei pra eles que no começo, esse bordão funcionou muito bem. O vendedor apelou para a escassez e fez uma boa freguesia, e mesmo sem estudar marketing, ele emplacou muito bem com essa estratégia.

A questão é que ele mentiu para o público!

Toda vez que a pessoa ouvia ele gritando o seu bordão na rua e corria para comprar um legume fresquinho para não perder a oportunidade, uma vez que os legumes estava acabando, ao chegar no seu portão, via que o carrinho de mão estava sempre cheio. Os vizinhos começaram a notar a estratégia do vendedor e passaram a não se preocupar tanto com a escassez, pois sabiam que ele retornaria na semana seguinte com o carrinho cheio novamente.

Então o vendedor percebeu o comportamento do seu consumidor e inventou um novo bordão, mas não está dando muito certo:

Aipim, quiabo e maxixe fresquinho, agora está acabando de verdade.

Na Internet, nós nos comunicamos usando tinta, não lápis. Pense bem em tentar enganar o consumidor mentido, iludindo ou manipulando a sua inteligência. Sua empresa pode ficar numa grande saia justa se for desmascarado, e até mesmo, deixar de existir. Ainda bemque conseguiu convencer o meu cliente!