A oportunidade apareceu e House of Cards soube aproveitar

É hora de não deixar a oportunidade passar. Aliás, sempre foi!

Por Felipe Vinha - Em 07.03.2016


A primeira sexta-feira de março, no último dia 4, foi histórica para o Brasil. Tivemos um caso polêmico envolvendo o ex-presidente Lula, que foi encaminhado pela Polícia Federal para prestar depoimento envolvendo a crítica Operação Lava Jato. Paralelamente, tivemos, na mesma data, a estreia da quarta temporada de House of Cards, seriado sobre política da Netflix, que aproveitou a oportunidade para dar mais uma aula de marketing.

Já sabemos que House of Cards é uma das séries que indicamos para empreendedores e para quem gosta ou trabalha com comunicação. Mas isso não é apenas por conta da trama, cheia de elementos políticos, assessores de imprensa, jornalistas, e bastidores do poder que ocorrem em cada um dos episódios. Por trás da trama, com a equipe de produção, temos bons exemplos de comunicação e planejamento.

Ao longo dos últimos meses, House of Cards já estava alinhado com o cenário político norte-americano, que atualmente está em processo de decidir seu próximo presidente. Enquanto no mundo real debatemos sobre Trump e Hilary, na série temos o protagonista Frank Underwood, em preparativos para se manter no cargo da presidência dos Estados Unidos. E assim vimos selos de campanha e posts favoráveis a Underwood pelas redes sociais.

Para a estreia da quarta temporada no Brasil, a Netflix, aparentemente, encomendou campanhas de marketing com revistas que cobrem o cenário político nacional, cada uma com suas posições, como Carta Capital e Veja. Na própria sexta-feira, capas fictícias destas publicações foram divulgadas oficialmente na Internet, como se Underwood fosse vitorioso ou corrupto, dependendo do ponto de vista.

Ao mesmo tempo, o escândalo envolvendo o depoimento de Lula parava o Brasil – e não apenas as redações do país inteiro, mas também os lares, as famílias, que acompanhavam todo o desenrolar da história e suas consequências. É claro que as capas de revistas já estavam prontas antes disso, mas foram providenciais para dar um clima ainda mais “épico” à divulgação de House of Cards. A coincidência brilhou, mas a oportunidade também.

Oportunidade esta que a Netflix soube aproveitar, para, horas mais tarde, lançar na rede uma suposta carta do presidente Underwood para o povo brasileiro. O comunicado era recheado de sarcasmos, a começar pela introdução, que utilizava o mesmo termo em latim “verba volant scripta manent”, que fez fama após a carta do vice-presidente do Brasil, Michel Temer, vazar no ano passado. O lançamento da carta também teria sido coincidência? Pouco provável, mas isso só torna todo o caso ainda mais interessante.

Não apenas chamou a atenção, como também ficou marcado entre os que já eram fãs do seriado, e naqueles que ainda iam adentrar nesse mundo. Novamente House of Cards nos ensina uma boa aula de marketing e em como tirar proveito das coincidências que surgem pelo caminho. Se o cenário político do Brasil não está nada bom, para a Netflix isso foi, de certa forma, mais do que ótimo.

Para a sua estratégia, ou o seu negócio, saber seguir caminho parecido pode ser crucial no resultado final. Cuidado com os spoilers e Deus abençoe a América.