Como a comunicação (ou a falta de) afetou as eleições em 2016

Uma breve lição que 2016 nos deixa: expresse mais, debata mais

Por Felipe Vinha - Em 31.12.2016


O ano de 2016 está em seu fim, mas algumas das polêmicas que ele trouxe vão durar por pelo menos quatro anos. Refiro-me às eleições que ocorreram nos últimos meses, destacando dois casos bem específicos: Donald Trump e Marcelo Crivella. O primeiro por ser agora líder de umas das principais nações do mundo e o segundo por ser o novo prefeito da cidade onde moro.

Mas o que esses dois têm em relação a comunicação? Eu diria que “tudo” e “nada” ao mesmo tempo. Trump e Crivella, mesmo sem relação direta, nos ensinaram como a falta de debate, da comunicação e da expressão de ideias pode ser danosa.

Donald Trump, sempre ele, começou como uma piada descabida. Afinal, quem imaginaria que o empresário e ex-apresentador do programa “O Aprendiz”, o original, poderia sequer cogitar ser o próximo presidente dos Estados Unidos? Parecia absurdo, similar ao futuro distópico de “De Volta para o Futuro” que, aliás, foi alvo de comparação com a situação.

Mas a piada ganhou força. E com força, mais adeptos. Enquanto um dos lados se recusava a debater com quem pensava diferente, com quem acreditava que um absurdo tão grande jamais se tornaria realidade, o outro lado foi fazendo sua parte. Por maior que tenha sido a quantidade de asneiras proferidas por Trump e sesu seguidores, eles estavam deixando suas marcas por onde passavam.

Movimento similar ocorreu no Brasil. Marcelo Crivella, ex-bispo da Igreja Universal, apesar de não ser tão “queimado” como Trump é, também tem suas mazelas e uma grande parcela de desafetos. Do outro lado, seu concorrente, Marcelo Freixo, tinha a simpatia de boa parte do povo, que pensava firmemente que “agora vai” e que era um absurdo tão grande quanto nos EUA Trump ser eleito o fato de termos Crivella prefeito – afinal, quem deixaria a “igreja” controlar o Rio de Janeiro?

O tempo nos provou que absurdos não conhecem barreiras. Os lados críticos não se preocuparam em debater, apenas em “lacrar”, como diz a famosa gíria de Internet. Nos fechamos em nossos círculos. Fomos enganados pelos algorítimos das redes sociais. Fomos ludibriados por pesquisas que, de fato, mais atrapalham do que ajudam.

A lição que os dois cenários eleitorais nos ensinam, para as próximas que vão ocorrer é que “tudo mudou”. As novas tecnologias promovem novas formas de interação. Nada pode ser como era há 10 anos. Não podemos nos restringir apenas a pessoas que pensam igual. Precisamos nos comunicar. O ser humano foi feito para se expressar, falar, interagir.

O problema nasce a partir do momento em que você não se posiciona. Mesmo que não seja de forma verbal – a comunicação vem em muitas formas –, mas também em forma de atos ou de qualquer outro tipo de interação que você possa ter com outros que estão ao redor. Seu vizinho tem um pensamento que te irrita? Que você acha ofensivo? Desde que ele não cometa algum crime, por que não sentar e conversar, debater, entender?

Que em 2017 pensemos diferente. Que em 2018, nas próximas eleições, já estejamos preparados para o que vem por aí. Seja no Brasil ou no mundo.