Comunicação em tempos de crise vale a pena?

Confira dicas de como usar a comunicação em tempos de crise

Por Monique Fernandes - Em 04.04.2016


Em períodos de crise, como esse que estamos atravessando, é muito normal todas as empresas buscarem adequar seus custos para manter o máximo de dinheiro possível no caixa da empresa. Nesse espírito, o primeiro corte a ser realizado, geralmente, é na verba destinada à comunicação e marketing. Essa atitude, muito comum, é extremamente contraditória para quem trabalha em comunicação. Sabemos que, em períodos de crise, as empresas precisam aumentar faturamento e para isso, precisam aumentar as vendas e o Marketing e a Comunicação são primordiais nessa função.

Normalmente, esse movimento acontece, pois, os departamentos de marketing e comunicação não costumam ter uma forma clara de mensurar os resultados. Com o passar dos anos, o cenário nos departamento de marketing tem mudado; e cada vez mais ações conseguem ser medidas. Se no passado as atividades se resumiam à peças publicitárias, distribuição de brindes e patrocínio de eventos, hoje, temos redes sociais, blogs, influenciadores, links patrocinados. Com elas, vieram formas cada vez mais claras de medir o resultado do dinheiro investido e retorno gerado para a empresa.

Até o início dos anos 2000, as únicas métricas possíveis de mostrar aos gestores era o quanto foi gasto e o quanto foi veiculado. Com esses dados, era praticamente impossível de mensurar o quanto essas ações traziam de clientes para a empresa.

Em se tratando de assessoria de imprensa, até hoje, medir o retorno é bem complicado. O bom e velho argumento, que todo marqueteiro sabe na ponta da língua, é usado bastante pelos assessores: “é reforço de branding.” E de fato é isso! Assessoria de imprensa é construção de imagem e reputação, assessoria não é vendedor comercial, mas ajuda a vender, pois torna a empresa cada vez mais conhecida e faz ser vista por muitas pessoas. Uma matéria, pode gerar uma venda, sim. As vezes, não na hora, mas uns dois meses depois, como já aconteceu comigo na posição de cliente/consumidora: Vi uma matéria sobre uma loja em São Paulo, mas moro no Rio. Assim que cheguei na cidade, fui até a loja e efetuei uma compra. Eu fui até a loja por ter visto uma matéria publicada em um jornal impresso. Mas o departamento de marketing nunca saberá e pode pensar que o investimento nesse serviço não está dando retorno e cortar a verba destinada a essa área.

Manter a verba alocada quando não se tem formas claras de medir o resultado, é bem complicado. Mas, hoje, com muitos veículos migrando para o online e ações de assessoria com blogs e influenciadores digitais, tem se tornado muito mais fácil mensurar uma visita ou conversão vinda pela internet.

Antes de cortar, repense a estratégia de comunicação durante a crise

É fato que comunicação gera retorno para a empresa, e para isso, alguns pontos antes de você partir para o corte de verbas para comunicação.

– Se a sua empresa tem tido muitas inserções em veículos impressos e poucas matérias online, reveja a estratégia;

– Concentre esforços no digital, além de ser mais fácil de mensurar, 76% das pessoas acessam a internet pelo celular*;

– Mas não abandone o impresso: 53% das pessoas leem jornais impressos e acreditam que estes passam maior credibilidade do que a internet**;

– Trabalhe com blogs, influenciadores digitais (Youtubers, Instagramers, Snapchatter etc.). Essas mídias costumam dar resultado rápido e eficaz para as empresas;

– Trabalhe marketing de conteúdo: entenda o seu público, o que ele busca e gere conteúdo relevante para ele nas suas redes sociais;

– Sempre forneça material e não meça esforços para gerar conteúdo e informação constante para sua assessoria.

Pensem duas vezes antes de cortar a verba destinada a comunicação, pois, já diz a frase clássica: “quem não é visto, não é lembrado.” Em tempos de crise, precisamos estar à vista para vendermos mais!

 

*Fonte: Comitê Gestor da Internet no Brasil. Pesquisa divulgada em Setembro/2015.

**Fonte: Associação Brasileira de Imprensa. Pesquisa divulgada em Agosto de 2014.