Eleições são também uma campanha de comunicação

Então porque os candidatos não se comunicam com o eleitor?

Por @cristianoweb - Em 29.09.2016


Por mais óbvio que a afirmação do título e sub-título seja, no Brasil ainda estamos longe de estreitar a relação com a política. Em nossas eleições temos muito voto de cabresto, candidatos ficha-suja e muita corrupção, claro. Mas ao mesmo tempo, há aqueles que nunca se elegeram e não estão “corrompidos pelo sistema“, da mesma forma como novos cidadãos ingressaram esse ano numa candidatura. E esse artigo é justamente para eles.

Imagine que a campanha eleitoral é um e-commerce de uma empresa do varejo, e que ela vende os mesmo produtos que os seus concorrentes, situação bastante comum desse segmento. Para ter eficácia nas vendas, se a loja pega a descrição do fabricante daquele produto e copia e cola na íntegra no seu site, ela certamente concorrerá de igual pra igual com as outras lojas virtuais. O que definirá a compra será normalmente o menor preço, ou o valor do frente, grande calcanhar de Aquiles do e-commerce.

Para se ter realmente uma boa taxa de conversão, é preciso, entre outras coisas, que a descrição do produto seja diferenciada, que mostre “valor em vez de preço“. É preciso descrever como é a configuração daquele produto, quais as suas vantagens, que tipo de solução ele entrega. Só assim o consumidor terá uma percepção de que esse mesmo produto é melhor na sua loja do que a do concorrente.

Claro que essa é uma visão básica da comunicação, mas é um princípio inquestionável. E mesmo sabendo disso, muitas lojas não o fazem e suas taxas de conversão não alcançam os números esperados. O mesmo ocorre no cenário político. Os temas abordados numa campanha política giram em torno das categorias educação, segurança, transporte, saúde, emprego, lazer, economia, entre outros. Temas esses que são “copiados e colados” por todos os candidatos praticamente do mesmo jeito. TODOS são à favor de uma educação de qualidade, de que a cidade precisa ser mais segura, de que é preciso criar empregos para a população, etc, etc, etc.

E é aí que os candidatos falham na comunicação

Se todos falam dos mesmos temas, porque não se diferenciam na hora de se engajarem com os seus eleitores? Afinal, uma campanha eleitoral é apenas um campanha de comunicação. Quanto mais pessoas acessam o seu conteúdo, melhor. Quanto mais focado nas ‘personas‘ for o discurso político, mas eficácia a comunicação terá.

A questão é que a MAIORIA esmagadora dos políticos, experientes ou não, continuam usando o espaço da TV como a única plataforma para fazer essa comunicação chegar até o seu eleitorado. Claro, é a mídia das massas, mas eu me pergunto, e a Internet cara-pálida?

O candidato à prefeito da cidade do Rio de Janeiro Marcelo Freixo foi impedido de participar do debate na rede de TV Bandeirantes no dia 24/08/16. O mesmo ficou de fora dessa exposição na mídia e então convocou a população através de seus canais na Internet para uma discussão pública no mesmo dia e horário na Cinelândia, no Centro da cidade, que teve bastante público. Mas e aí? E se ele não tivesse tanta expressão na Internet, será que alguém iria ouví-lo na rua?

O que falta para os políticos terem uma presença online?

No meu entendimento, a Internet é a maior plataforma de mídia de massa segmentada, onde os temas podem ser melhor debatidos por darem voz para qualquer cidadão. Assistir um debate como o da Band pre-formatado não dá ao eleitor uma noção profunda dos temas. A internet sim!

Mesmo sabendo que essa eleição de 2016 o TSE definiu uma janela bastante curta de campanha, propícia para quem usa a máquina pública, ainda sim, nada impedia os candidatos de criarem pauta dos temas em seus canais desde o começo do ano. Tem algo a dizer sobre educação? Que tal criar uma série de artigos no seu blog? Precisa se posicionar sobre os gastos públicos realizados na Prefeitura atual? Que tal fazer uma enquete no Facebook e no Twitter? Quer mostrar as péssimas condições de uma determinada área da cidade? Nada melhor que um vídeo no Youtube para ilustrar isso.

Mas o que vemos é candidato enviando SPAM para as nossas ‘inboxes‘ com mensagens padronizadas, no melhor estilo “você me conhece… peço o seu voto” que não convence ninguém, além do famoso vídeo curtinho no Whatsapp enviado pelos seus assistentes que usam as suas conexões pessoais como forma de aumentar a confiança através desse contato. “Vote nele porque é meu conhecido, ou porque eu trabalho com ele“. Será que é eficaz, ou é mais uma interrupção na vida do eleitor?

O que falta então?

Falta encarar que voto é comunicar, é engajar, é interagir. Pense nisso candidato. Comece a comunicar hoje, troque ideias, mantenha a conversa viva. Quem sabe, na próxima eleição, o seu nome seja o único que o eleitor consiga lembrar na hora de votar.