5 dicas para escolher seu sócio e não cair em furadas

Um passo a passo para te ajudar a evitar problemas futuros na sociedade

Por Monique Fernandes - Em 24.08.2015


Todo empreendedor já se fez essas perguntas, ao menos uma vez na vida: Eu preciso de um sócio? Quantos sócios eu preciso? Como escolher um sócio? Eu já tive uma sociedade que não foi bem sucedida. Depois disso, decidi seguir carreira solo no empreendedorismo. O meu fracasso se deve à falta de experiência no assunto e não ter sabido escolher.

Através dessa experiência eu observei que os meus erros, e os de boa parte dos empreendedores, com problemas na sociedade foram os mesmos. Observei  algumas características  importantes para escolher um sócio. Seguem os pontos a serem observados para que você evite os mesmos problemas:

1 – Não escolher o sócio pela amizade:

Quando você escolhe alguém para fazer sociedade baseado apenas na amizade, a probabilidade de ter problemas é muito grande. A escolha de um sócio tem que ser baseada nas características profissionais que ele tem, se ele é comprometido e não vai achar que o dono da empresa pode aparecer para trabalhar quando quiser. O ideal é que você já tenha trabalhado com a pessoa anteriormente e conheça o perfil profissional dela. Normalmente, quando a gente escolhe um sócio porque é um amigo querido que quero que esteja comigo nessa, temos esse tipo de problema. Não se iluda com o clássico: “ah, mas ele é assim, pois está infeliz no emprego.” Quando estamos insatisfeitos, podemos nos desmotivar e não render da mesma forma. Você é o mesmo em todos os lugares que frequenta, trabalha e com quem se relaciona. É impossível mudar!

2- Escolher alguém com características complementares às suas:

Escolher um sócio requer buscar características que você não tem e que são difíceis e/ou caras para encontrar no mercado de trabalho. Por exemplo: um jornalista abre uma empresa de comunicação, mas não é bom com números. O ideal é que ele encontre um sócio com essas habilidades. Se fizer sociedade com alguém da mesma área ou formação, o planejamento financeiro da empresa pode ficar deficitário. Ou uma startup tem como sócios um profissional de marketing, outro de gestão, mas não tem quem desenvolva o sistema. Desenvolvedor é fácil contratar, mas esse tipo de profissional é bem valorizado no mercado e o salário é bem alto para uma empresa iniciante arcar, que tal oferecer ações para um CTO? Pense, times complementares vão muito mais longe.

3 – Objetivos alinhados:

Isso é algo extremamente importante desde os colaboradores até sócios. Não adianta você escolher alguém que é muito bom, ou que é seu amigo, se o objetivo de vida do aspirante a sócio é ficar rico e o seu fazer uma empresa que impacte a vida das pessoas. Um está pensando somente em lucro, enquanto o outro quer fazer um negócio com propósito. Isso gera muitos atritos depois da sociedade estabelecida. A dica é: conheça bem a pessoa e descubra o que ela almeja na vida. Queira saber objetivos de vida, como formar família, viajar etc. Isso ajuda muito a conhecer bem o seu futuro sócio.

4 – Funções bem definidas:

Defina muito bem as funções da cada sócio dentro da empresa. Se você é responsável pelo marketing e outro por finanças, um não interfere no trabalho do outro. Cada setor tem um responsável e se não estiver cumprindo as suas metas, tem um responsável a ser cobrado. E para saber o que está acontecendo no setor do outro, é simples: a reunião de sócios existe para isso! Não ter funções bem definidas entre os sócios, deixa o time sem liderança e atrapalha o bom funcionamento da empresa. Além de gerar brigas entre os sócios!

5 – Faça acordo de acionistas:

Faça um acordo de acionistas bem no início da empresa. Poucos conhecem esse documento, mas ele é primordial para deixar tudo muito claro. Fazendo a analogia do casamento, é como se fosse um acordo pré-nupcial. Nele colocamos as responsabilidades de cada sócio, o que cada um deve fazer, o que acontece se um dos sócio decidir sair da sociedade. Na empolgação de abrir um negócio, ninguém pensa nesses detalhes, e acreditamos que problemas societários nunca vão existir, mas existem. Então, vale estabelecer as regras do jogo quando estão todos de bem, depois, com a bola em campo, fica difícil.

Espero que a minha experiência tenha te ajudado de alguma forma. Está em dúvida sobre o futuro sócio? Pergunte-se sempre: “Eu me casaria com essa pessoa?” Pode parecer estranho essa pergunta, mas é a verdade: sociedade é um casamento e, muito provavelmente, você vai conviver mais com o seu sócio do que com sua namorada(o) ou cônjuge.