Aventuras da imprensa nos bastidores da E3

Conheça um pouco dos bastidores da maior feira de games do mundo.

Por Felipe Vinha - Em 19.06.2015


A E3 é a maior feira de games do mundo e ocorre, anualmente, em Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos. É nela que as grandes empresas vão mostrar seus próximos lançamentos, revelar outras novidades para o mercado e interagir com a mídia, já que se trata de um evento fechado para a imprensa, ainda que tenhamos alguns convidados e VIPs também presentes. Estivemos presentes na E3 2015 e te contamos um pouco sobre as aventuras nos bastidores do evento.

O “pré-dia”

Em Los Angeles, tudo fica tomado por entretenimento. Para todos os lados que você olha há um banner de algo que está rolando na cidade, e com a E3 não foi diferente. Ao chegar na cidade você é logo recebido com decorações temáticas da feira e outros detalhes, como cartazes de jogos e mais espalhados pelos prédios. Ao longe, o Centro de Convenções de LA já mostra também o seu adorno, com algumas das novidades que veremos lá dentro.

O chamado “pré-dia” ocorre geralmente um dia antes da abertura oficial da feira, quando empresas realizam coletivas de imprensa em locais fechados para mostrar suas novidades. Companhias como Sony e Microsoft são as principais atrações nestes dias, ainda que outras menores também tenham programação similar – como Ubisoft e Electronic Arts.

É neste momento que se nota o quão peculiar é a imprensa que cobre o mercado de jogos eletrônicos. Dentro das coletivas temos a presença de jornalistas de diversos locais do mundo e de vários veículos. A grande maioria aplaude e se empolga com cada boa notícia, como se estivesse comemorando um gol de seu time de futebol favorito.

Alguns apontam isso como falta de profissionalismo, e pode até ser, em casos isolados. O que ocorre é que a maioria dos que estão ali, além de jornalistas, também são fãs e jogadores de longa data, possivelmente desde a tenra idade. E ver de perto algumas das grandes promessas do mercado reveladas, ao vivo, é bastante empolgante.

Mas é claro que não são todos que se comportam assim. Além disso, as próprias empresas já desenvolveram o costume de plantar seus funcionários na plateia, para que assim eles empolguem todos a bater palmas e vibrar durante a coletiva. O clima acaba sendo um pouco contagiante, de qualquer forma.

A grande feira

A E3 abre suas portas durante três dias apenas, mas que parecem ser pelo menos cinco. Tomando dois grandes pavilhões do Centro de Convenções, além de mezaninos e galerias que ficam entre um e outro, o evento é recheado de atrações para se conferir, incluindo mega-estandes de empresas gigantes do mercado e pequenos “cubículos” com aquelas que são menores e com menos dinheiro para bancar uma estrutura enorme.

Há quem prefira também montar algo fora da feira, na rua mesmo, para economizar ainda mais e não ter que pagar para participar. Ali a criatividade é o que conta: desde empresas que alugam ônibus decorados para colocar seus jogos dentro e mostrar aos visitantes a outras que promovem grandes churrascos com games para testar e sujar o controle com suas mãos cheias de gordura.

O primeiro dia é sempre o mais agitado, com maior número de público, já que é quando as portas se abrem pela primeira vez e algumas novidades ainda não foram mostradas em lugar algum. A grande fila se forma dentro do Centro de Convenções, antes da escada que leva às portas internas, e lá mesmo há decorações, pequenos estandes promocionais e cartazes espalhados para quem quiser postar aquela foto esperta no Instagram.

Já dentro da feira o que temos é tudo isso que citamos, mas triplicado. Em meio aos VIPs e convidados especiais, jornalistas desbravam multidões para cumprir seus horários agendados com assessores de imprensa, afim de testar jogos, entrevistar produtores e conseguirem aquele furo de reportagem antes dos outros.

Infelizmente, o trabalho do comunicador fica um pouco prejudicado graças ao restante do público, já que a feira, apesar de ser fechada, não deixa de ser enormemente cheia. Com muitas filas, o que resta para quem está lá trabalhando é se virar como pode e conseguir mais conteúdo fora de suas agendas, mesmo que isso signifique ficar algum tempo sem almoço ou sem sentar para descansar as pernas.

Jogos de console, portáteis, mercado mobile, novidades tecnológicas com acessórios e até mesmo participações inusitadas fazem parte da E3, como um estande do exército norte-americano, usado para mostrar um pouco de sua realidade aos participantes, com um simulador de guerra, ou um museu do videogame, com “velharias” de mais de 30 anos.

Mercado inimaginável

O mercado de games é um dos maiores do entretenimento mundial e a E3 é apenas o reflexo disso. São mais de US$ 80 bilhões movimentados ao ano, atualmente, sendo 32% disso somente na América o Norte, que forma, junto com Ásia e Europa, a trindade dos grandes mercados mundiais de jogos eletrônicos.

Já a E3 mantém seu número limitado de participantes a cerca de 50 mil ao ano, já que não há vagas para todos, a disputa para participar é enorme. Em geral, pelo menos 200 empresas participam ativamente do evento e mais de 500 games são mostrados por lá.

Hoje, o mercado de games já supera o de cinema em alguns pontos, com lançamentos que arrecadam mais do que o de grandes filmes. O custo de produção de alguns títulos também são enormes e ficam, a cada ano, mais caros. Jogos como Destiny e Grand Theft Auto 5 custaram R$ 1,5 milhão e R$ 796 mi, respectivamente, para serem produzidos.

O Brasil aproveita uma pequena fatia disso tudo, já que hoje é considerado o quarto mercado de games, ainda que outras regiões tentem contestar essa posição, como o México. Os dois países ficam ali, “sambando”, entre os 4% ou 3% de participação no mercado mundial.

Ainda que tenhamos alternativas similares em nosso país, estamos longe de competir com a E3 ou o mercado norte-americano. E por isso mesmo a participação do Brasil na feira se intensifica a cada ano, com cada vez mais veículos marcando presença, online, impresso e televisivo, e até mesmo com a presença de alguns produtores e representantes comerciais nacionais.

Para quem quiser saber mais do mercado de games ou tentar se empenhar em participar desse mundo eletrônico, a E3 é um ótimo primeiro passo e uma experiência inesquecível.