Campus Party pecou na harmonia e prejudicou a evolução

O Carnaval dos geeks e nerds quase "deu ruim", mas a magia segue firme

Por Monique Fernandes - Em 02.02.2016


Na semana passada aconteceu, em São Paulo, a nona edição brasileira da Campus Party. O evento reuniu mais de 8 mil campuseiros no Centro de Exposições Anhembi. A feira, que reúne amantes da tecnologia e cultura pop, estava bem diferente dos anos anteriores.

Além da renovação natural do público do evento e a mudança de perfil dos campuseiros (os participantes eram bem mais silenciosos do que nas edições anteriores), era visível os sinais da crise ao andar pela Campus Party. Algo que já era esperado, pois na véspera da abertura, todos os participantes receberam um e-mail do fundador, justificando previamente a ausência de determinados patrocinadores e a possível escassez de brindes.

A área aberta ao público onde, normalmente, ficava lotada de stands de patrocinadores e aulas gratuitas de programação para jovens de comunidades carentes em edições anteriores estava com enormes buracos visíveis a olho nu. Era como uma escola de samba que falhou na harmonia, o que atrapalhou a evolução. Stands menores e a ausência de patrocinadores tradicionais como Vivo e a Intel (que sempre marcava presença na Campus com sua enorme arena de campeonato de League of Legends) deixou nítido o quanto a crise econômica e política afetou a realização. A ausência sentida foi a do espaço do Instituto Campus Party. Talvez pelo patrocínio escasso, o evento não tenha conseguido colocar as aulas gratuitas que sempre estiveram presentes.

O evento teve problemas recorrentes, no primeiro dia, foram mais de três horas de espera para participantes conseguirem retirar a credencial que dava direito à entrada. Houve queda de energia (algo recorrente por aqui) e, como em todo ano de chuva forte, o teto do Anhembi não aguentou e alagou a área de camping. A novidade de não poder entrar com comida comprada na área externa causou um constrangimento: uma palestrante foi proibida de entrar com a papinha da filha dela. Isso gerou uma grande repercussão negativa para o evento que liberou na sequência. Por todos os lugares, ouvia-se reclamações sobre a MCI Brasil, a empresa que comprou os direitos de organizar a feira no Brasil. 

Os nerds também amam (e empreendem)

Porém, nem só de problemas viveu a Campus Party Brasil. As áreas de empreendedorismo e Startup & Makers estavam com conteúdos especialmente selecionados. A área, que ficava na espaço gratuito do evento, contou com paineis e palestras que abordaram temas atuais como empresas que falharam, como formar uma comunidades empreendedora, empresas grandes trabalhando em conjunto com as pequenas. Os workshops e as mentorias foram o ponto alto do espaço para Startups, o tempo inteiro com as vagas bem disputadas. 

O ponto alto do evento para os participantes foi o casamento que aconteceu na sexta à noite, no palco principal. A cerimônia realizada pelo Jovem Nerd, na presença do presidente da Campus Party Brasil, e ao som do Marcha Imperial, convocou os participantes por volta das 22h e roubou a audiência de algumas palestras. Foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu dentro do evento, e o organizador Francesco Farrugia garante que essa será a última, “senão vai virar catedral,” disse em entrevista ao G1. 
 
Agora que a CPBR da crise acabou, os nerds esperam pela edição Recife que deve acontecer em Julho. Foi anunciada a primeira edição para Brasília em 2017 e a confirmação da 10ª edição nacional que ocorrerá, em São Paulo, em janeiro de 2017. Apesar de todos os problemas enfrentados, o brilho do “Carnaval dos Nerds” não foi apagado. É como disse Paco Ragageles, fundador da Campus Party: Quem faz a Campus são os campuseiros e não patrocinadores. Isso é uma meia verdade, pois sem eles a festa foi mais modesta do que nos anos anteriores.