A assessoria de imprensa vista pelos assessores

Profissionais do setor público e privado falam sobre a rotina da profissão

Por Thalita Linhares - Em 26.06.2015


Anteriormente aqui no blog fizemos o seguinte questionamento: “Qual é o verdadeiro papel do assessor de imprensa?”. Essa é uma pergunta de profissionais de diversas áreas. Alguns acham que o assessor é uma “babá de CNPJ”, outros acreditam que ele levará o assessorado à fama e gerenciará momentos de crise. Mas afinal, quem melhor para responder a esta pergunta do que estudantes e profissionais que atuam no mercado?

Conversando com assessores do setor público e privado, a resposta foi unânime: a assessoria de imprensa é uma importante ferramenta de comunicação externa, que traz visibilidade e credibilidade à instituição ou profissional. “Ser notícia ou fonte em um veículo de comunicação agrega valor ao assessorado e o torna fonte de informação”, afirma Maite Blancquaert, assessora de imprensa de clientes nas áreas de cultura e educação.

Mas se engana quem acha que ganhar espaço no meio a inúmeras fontes com seus “diferenciais” é tarefa fácil. Sendo os assessores vendedores de ideias, garantir que a sugestão enviada é melhor que a de outro jornalista pode ser uma missão e tanto, principalmente em tempos de internet e mídias sociais. “A maneira mais eficiente de ter destaque em meio a tanta informação é distinguir a relevância do conteúdo para a sociedade e encaminhar aos canais de comunicação pertinentes”, explica Paulo Vitor Ubaldino, assessor de imprensa do arcebispo metropolitano do Rio, Cardeal Orani João Tempesta. “Compreender a realidade da imprensa e ser um agente facilitador na relação com o assessorado também auxilia para que o relacionamento do assessor com o jornalista seja eficaz”, complementa.

E relacionamento com o jornalista é o que tem feito toda a diferença para conquista de grandes matérias. Com redações cada vez mais enxutas, os profissionais têm otimizado tempo  contando sempre com fontes próximas, seguras e confiáveis. “Quando o assessor tenta entender a necessidade do jornalista e não apenas ‘vender’ seu cliente, cria-se um vínculo profissional, com interesse de ambas as partes”, afirma Ramon Mendonça, assessor de um órgão vinculado a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. “Também é importante antecipar para os formadores de opinião informações sobre assuntos que possam despertar interesse na população, sendo eles favoráveis ou não ao cliente. A postura do assessorado no esclarecimento prévio de um acontecimento pode torná-lo parte do mailing do jornalista”, afirma.

Para que o comportamento do porta-voz saia de acordo com o esperado, o profissional da assessoria de imprensa deve pautar e esclarece-lo sobre o veículo e objetivo da publicação, seja ela em texto, áudio ou vídeo. O assessor também precisa criar no seu cliente a compreensão de que não se deve falar com jornalistas apenas quando o assunto é de seu interesse. “Para orientar bem sobre o quê e como falar, é importante ter liberdade e credibilidade com o assessorado”, ressalta estudante de jornalismo Aimée Pereira.

Em resumo, os veículos de comunicação procuram por alguém familiarizado com os assuntos debatidos e com peculiaridades da imprensa de modo geral, que são deadline, noticiabilidade e transparência. “O assessorado também precisa compreender que os assessores de imprensa não controlam a mídia. Por mais respeito que haja entre assessor e jornalista, o assessor não pode decidir sobre a informação divulgada”, finaliza Maite.