Amigos, amigos… Negócios à parte

Conheça histórias de negócios entre amigos e seus desafios

Por Keli Ricarte - Em 17.11.2015


Engana-se quem pensa que não há perigos em montar uma sociedade com amigos. Existe uma linha tênue entre pessoal e profissional e não é todo mundo que sabe lidar com isso.

Conversei com Roni Dias e seu sócio Rafael Ramos, proprietários de uma importante empresa de desenvolvimento de softwares e marketing digital, que falaram sobre a importância de separar o lado pessoal do profissional para que se tenha sucesso na sociedade.

Ambos afirmaram que não procuravam um sócio e não eram amigos e sim colegas de trabalho no início. Por existir uma sinergia entre os dois, fator este considerado fundamental para uma sociedade por Roni e Rafael, decidiram então dar vida a projetos juntos.

“O Roni se tornou primeiro meu sócio para depois se tornar um amigo pessoal. Acredito que esta seja a melhor direção. Quando se começa uma sociedade com um amigo, você automaticamente importa para a sociedade uma série de questões pessoais”, diz Rafael sobre o início da sociedade e os perigos de escolher um amigo para sócio.

O sucesso da sociedade, que acaba de completar cinco anos, é atribuído ao fato de ambos possuírem a mesma visão e competências complementares, segundo Roni. Rafael não recomenda que a amizade seja um fator de influência na escolha de um sócio e Roni dá algumas dicas caso isto ocorra: a relação pessoal fica da porta para fora da empresa, saiba respeitar as opiniões do outro e defina regras para tudo que puder.

Posso complementar as dicas do Roni Dias com: não use a amizade como garantia. Deixe tudo registrado em papel com assinatura de ambos. Sociedade de boca não funciona, pois os direitos e deveres de todos devem estar descritos.

Conversei também com Luan Muniz, que participou de uma sociedade com um amigo que não deu certo. “Nós dois tivemos empresas antes que acabaram por conta de sócios que nos passaram para trás. Achamos que por sermos amigos não teríamos problemas de um passar a perna no outro, então começamos bem confiantes acreditando que os problemas societários acabavam ai. Erro nosso”, declarou Luan sobre o início da sociedade.

O conflito de ideias e valores foi o principal motivo dos desentendimentos. A sociedade não se recuperou das divergências e chegou ao fim antes mesmo do lançamento do primeiro produto que estava em produção. “Percebemos que ser amigos só tornavam as coisas ainda mais complicadas, pois era muito difícil separar a amizade dos negócios e que seria muito complicado tocar a empresa tendo pontos de vista tão divergentes e isso afetaria o sucesso da empresa e da nossa amizade . Ele decidiu continuar com o projeto por conta própria e eu me afastei”, finalizou.

São inúmeros os casos em que sociedade entre amigos não dá certo, o que nos leva a crer que a expressão: “amigos, amigos… negócios à parte” nem sempre funciona.