As crises que pegaram 2016 de jeito

E ainda pode piorar

Por Keli Ricarte - Em 30.12.2016


É normal os anos possuirem altos e baixos, porém 2016 foi um ano de “baixos e baixos” para a economia brasileira, que vive uma de suas piores crises, desde a implementação do Plano Real em 1994. No começo do ano, as previsões dos economistas brasileiros para 2016 não eram boas. Ao decorrer dos meses, ficou comprovado que o que estava por vir era bem pior do que se imaginava.

Mercado de Trabalho

Em janeiro, o índice de demissões foi absurdamente alto. Casado com a baixa admissão das empresas, deu continuidade ao pior resultado para o mercado trabalhista em sete anos.

Muitas pessoas desempregadas com poucas vagas abertas, causou a desvalorização da mão de obra, qualificada ou não. Ficou comum vermos empresas oferecendo vagas com salários baixíssimos e profissionais trabalhando em áreas diferentes de sua formação.

O setor público também foi afetado. Menor número de abertura de concursos e nomeações aos que estavam no banco de espera.

PIB

Em fevereiro deste ano, o FMI afirmou que a expectativa era que o PIB brasileiro possuísse o segundo pior resultado entre os países em 2016, com retração de 3,5%, ficando atrás apenas da Venezuela.

Porém, para os economistas o cenário seria bem pior. A previsão em maio deste ano era que houvesse recessão no PIB brasileiro de 3,81%, e com a posse do presidente Michel Temer, passou para 3,71%.

A estimativa do Banco Central divulgada em novembro, é de que o PIB do Brasil feche com contração de 3,40%.

Inflação

Em relação ao ano anterior, 2016 fechou com desaceleração na inflação que foi de 10,71% (2015) para 6,58% (2016), ficando próximo a meta do governo. Isso incentiva o corte de juros pelo BC e da taxa SELIC pelo Copom, que em outubro deste ano, sofreu uma baixa de 0,25% passando de 14,25% para 14%. Essa foi a primeira redução em 4 anos.

Dólar

Com a instabilidade política e econômica assombrando o país, o risco de investimento no Brasil era alto em 2016, causando o afastamento dos investidores, que somado a queda no preço do petróleo no mercado externo, causou a maior alta do dólar desde 1994, implementação do Plano Real, chegando a R$ 4,16.

Após a decisão de afastamento da presidente Dilma Rousseff, foi registrada uma queda de mais de 1% na cotação do dólar, que seguiu entre R$ 3,15 e R$ 3,50 até o final de 2016. A previsão de fechamento do dólar, que antes era de R$ 3,30, passou para R$ 3,60, com a eleição de Trump como presidente dos EUA.

A Crise e o “salve-se quem puder”

Pela primeira vez em sete anos, o número de fechamento de empresas superou o de abertura, causando demissões em massa. Com o alto índice de desemprego e inflação nas alturas, o consumo continuou freado, causando a diminuição de investimento pelos empresários, e, como afirma o Governo, “baixa arrecadação” pelo Estado.
Esse foi só o começo. Sem investimento, cada vez mais empresas quebravam, aumentando o número de desempregados com seu poder de compra reduzido. Menos consumo, menos investimento, mais desemprego.

Ninguém ficou de fora. Empresas, veículos de informação, lojas, e até o Estado, foram atingidos pela crise.

Praticamente todos os dias de 2016, acordamos com a mídia noticiando reviravoltas na política e economia brasileira. O que mais está por vir? O ano está quase em seu fim, mas 2017 não parece que será o mar de maravilhas que alguns esperam.