Big Brother na mídia: em defesa do jornalismo de celebridades

Como algumas notícias no jornalismo podem verdadeiramente interessar a alguém

Por Felipe Vinha - Em 25.01.2016


É de praxe: toda vez que temos um novo Big Brother, a discussão volta a ser acesa. Afinal, vale a pena ou não reportar certos fatos na mídia? O jornalismo especializado em celebridades sempre esteve presente, mas as pessoas costumam dar um pouco mais de atenção crítica a isso sempre em época de festas, com um novo reality show estreando, no carnaval, em premiações da TV e cinema, nas festas de fim de ano…

Você, com certeza, já viu notícias sobre o fulano da novela que se coçou no aeroporto. Ou a filha daquela atriz famosa que foi na esquina comprar um sorvete. Não há um motivo em especial para elas terem algum destaque na grande mídia. Essas notícias não vão mudar o mundo, mas elas, de fato, precisam ser a salvação da humanidade?

Quem financia esses cliques?

Vale deixar claro que não estamos falando, propriamente, de jornalismo puro e simples. Esse assunto entra mais na categoria de entretenimento. Classificamos como jornalismo puramente e simples por ser um trabalho realizado por profissionais de comunicação – na maioria dos casos, ao menos.

Se formos pelo conceito de notícia, fica realmente difícil defender esse tipo de conteúdo. Afinal, só pode ser classificado como notícia aquilo que difere, que foge do seu cotidiano, que não se enquadra em algo que acontece corriqueiramente, todos os dias. Mas já parou para pensar que, mesmo não sendo notícia, celebridades podem render conteúdo?

Para entender um pouco mais, pense no público. Se um grande site especializado em celebridades noticia esse tipo de fato, é por conta do público. Acredite, há pessoas lendo, clicando, comentando. E você aí, que compartilhou na rede social o seu desabafo sobre a inutilidade daquela notícia, foi mais um que deu aquela pontinha de audiência para dar força a esse tipo de conteúdo.

Trata-se de uma área cinza do jornalismo. Não há certo nem errado. Por um lado, aquele ator de Hollywood famoso tem legiões de fãs na sua cola, que querem saber cada um de seus passos. Mas, ao mesmo tempo, um cientista que descobre algo de relevante para a humanidade pode não ganhar o mesmo destaque nas notícias gerais, e ficar apenas em seu nicho.

Além do bem e do mal

É tudo uma questão de saber onde está o seu público e o que ele lê. Se o conteúdo é raso, se ele apenas relata cada passo do que o artista faz na rua, na academia, no metrô, é por conta da importância que aquela figura pública tem para os seus fãs, para quem o segue.

Além do entretenimento por si só, esse tipo de mídia é apenas um complemento da área de atuação do artista. Ele também precisa disso para viver, precisa estar sempre em destaque, sendo falado, sendo lembrado. O mesmo vale, e principalmente, para “sub celebridades”, ou estrelas em crescente ascenção. Você não curte acompanhar esse tipo de conteúdo? Ótimo. Mas o público que gosta existe. Se não se encaixa nele, não se preocupe. Há espaço para tal.