Caiu na net, virou manchete

Como não conseguimos ter o controle do que se espalha na web

Por Felipe Vinha - Em 23.11.2015


Recentemente a operadora de celulares Claro virou notícia por conta de tweets “polêmicos”. Alguns xingavam seguidores, outros continham palavras “engraçadinhas” e tivemos aqueles que também torciam para algum time de futebol e partido político. Originalmente, essas mensagens não foram escritas pela empresa, mas elas nos ensinam que “caiu na net é peixe”, mesmo quando não queremos. Na comunicação, é primordial saber o alcance de nossos atos online.

O Fenômeno

Há alguns anos, a Claro fez parceria com o jogador de futebol Ronaldo “Fenômeno”. O craque usaria a conta da operadora também como seu Twitter pessoal, utilizando o marcador @ClaroRonaldo, indicando essa união. A parceria foi duradoura, e acabou somente após a Copa do Mundo de Futebol de 2014, quando a empresa decidiu seguir com sua conta na rede social sem utilizar o ex-astro da bola.

O problema é que o Twitter, por ser uma rede bem efêmera, mantém histórico de mensagens de forma que não conseguimos coletar com precisão mensagens antigas, de anos atrás, pela falta de um menu de arquivos ou busca mais eficiente. Isso é proposital, de certa forma, mas para a Claro acabou sendo uma faca de dois gumes.

Por manter a antiga conta de Ronaldo, aproveitando os seguidores e alcance já obtido, a Claro também manteve todas as mensagens do ex-jogador. E isso, claro, foi descoberto pelos “internautas”, que deram retweet em tais mensagens, dando um alcance engraçado e bagunçado de algo vindo de cinco anos atrás. Até mesmo tweets que criticavam a própria operadora foram descobertos e “puxados” para cima, outros com xingamentos.

Nem todos os usuários do Twitter sabiam da antiga parceria entre Ronaldo e Claro, e por isso alguns acreditaram que aquilo não tinha o menor contexto. Ou melhor: que a conta da operadora no Twitter fora alvo de hackers ou de algum brincalhão que se apossou do usuário e senha. No final das contas, tudo não passou de um descontrole do que eles mesmos detinham direito – as antigas mensagens que ainda estão por lá.

Já acabou, Jéssica?

Quando um conteúdo chega na rede, ele é difícil de ser removido. E o pior: praticamente não temos controle sobre isso. Postou algo indevido e se arrependeu depois? Nada garante que alguém já não tenha realizado a captura de tela e propagado aquilo de outras formas. Na verdade, é preciso elaborar uma pequena estratégia antes de postar qualquer coisa na Internet, ou ao menos pensar nas consequências de um texto, de um simples post, ou de uma conta no Twitter mal utilizada.

É claro que isso também funciona de forma positiva, quando algo simplesmente viraliza, apenas pelo humor ou fator semelhante. Recentemente tivemos o caso do vídeo “Já acabou, Jéssica?”, onde duas meninas brigam no meio da rua, enquanto aquela que estava apanhando se levanta e provoca a adversária de forma debochada.

O filme correu a rede e se desenvolveu em outros memes: montagens, quadrinhos, tirinhas, outros vídeos, “covers” e, claro, entrevistas com as verdadeiras envolvidas no caso – que no final das contas fizeram as pazes. Mas quando elas poderiam imaginar que um vídeo deste tipo, protagonizado pelas duas, pudesse ter alcance tão grande?

É claro que “cair na net” tem seus malefícios, afinal vivemos em sociedade onde existe o bem e o mal. Algumas leis protegem materiais ilegais que correm a rede, mas todo o cuidado é pouco com o conteúdo que você gera, ou como pretende abordá-lo no futuro, em desdobramentos imprevistos.