Como serviços de tecnologia forçam a reinvenção dos negócios

Netflix, Uber, Steam, Spotify. O que esses serviços têm em comum?

Por Felipe Vinha - Em 05.08.2015


Comprar e vender já rendeu bons desafios à sociedade. Criar um negócio já é difícil, mas reinventá-lo é ainda pior. Para aqueles que conseguem, os meus sinceros parabéns, ainda mais em tempos de domínio tecnológico, com os serviços de assinatura e “clubes de vantagem” dominando o comércio de entretenimento, para se ter uma base.

Evolução em poucos anos

Lembre-se de 10 anos atrás. Se você estava pela casa dos 20 e poucos anos provavelmente andava por aí com um “MP3 Player”, com músicas baixadas da Internet, com incríveis 2GB de espaço disponível. Volte para o futuro e veja como você (provavelmente) ouve música: assinando um serviço online, que pode até ter opção grátis, mas é muito mais vantajoso pagar para utilizar.

O Spotify talvez seja o melhor exemplo atual, apesar de termos similares, como Deezer ou o mais recente Apple Music. Certa vez, ouvi o seguinte comentário: “Não é que eles conseguiram fazer que pagássemos por música?’. Sim, basta voltar mais alguns anos e ver que a ilegalidade do MP3 era o ápice da música digital e o usuário médio de tecnologia jamais pensaria em pagar para baixar ou ouvir uma canção de sua banda favorita.

Com a facilidade que o Spotify nos traz, fica difícil correr para baixar aquele álbum novo do artista X, quando você pode simplesmente abrir o programa no computador ou na palma de sua mão, com seu tablet e smartphone favoritos, para em seguida apertar o “Play”. E assim a batalha contra a pirataria pode não ter sido totalmente vencida, mas ao menos uma larga vantagem foi aberta para a indústria do consumo.

Pioneiros de uma nova realidade

Pouca gente sabe, mas talvez o pioneiro disso tudo tenha sido o Steam, uma loja online que vende jogos de computador no formato digital. Ele não tem assinatura, mas oferece jogos a preços bem módicos – um lançamento pode custar 60% mais barato por lá do que em lojas físicas, por exemplo -, além de uma comunidade forte e com diversas ferramentas. O usuário só paga pelos jogos que compra e baixa, todas as outras facilidades são gratuitas. Dá para acreditar?

A pirataria nos games ainda é forte, mas o Steam fez um bom papel em combatê-la. “A pirataria é combatida oferecendo um serviço melhor do que a pirataria pode oferecer”, como costuma dizer Gabe Newell, diretor da Valve, que é a empresa que administra o Steam. Esse pensamento foi seguido de perto por outros, como o Netflix.

Hoje você já consegue sentar no seu sofá, ligar a SmartTV, videogame ou media player para assistir filmes sem sequer se levantar – basta ter conexão com a Internet em casa. O Netflix, e similares, pode ter “matado” as locadoras, mas não foi ele quem começou isso. A pirataria de filmes teve um enorme crescimento desde o início dos anos 2000, mas o streaming de vídeos foi lá, legalizou a ideia e aprimorou tudo por trás.

Hoje o Netflix é um dos maiores players do mercado de entretenimento. Com uma assinatura que custa o que custava o aluguel daquele grande lançamento na locadora mais próxima você pode passar o dia inteiro vendo seriados, filmes, programas de entretenimento e mais. Com pouquíssimo esforço. Ele não apenas aplicou um duro golpe na pirataria, como também está se tornando o predador de outros serviços legais mais antigos, como a TV à cabo.

Facilidade em quatro rodas

E o que dizer do Uber? O polêmico aplicativo de “caronas pagas”, que está longe de ser apenas isso, já causou enorme tumulto entre os taxistas formais não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Porém, o que poucos ainda entenderam é como ele está comprando essa briga: seguindo a mesma fórmula do Netflix, Spotify e Steam, oferecendo um serviço superior a um preço mais competitivo.

Longe de querer iniciar mais um debate Uber X Táxis – cabe lembrar que os dois lados podem ter seus problemas – mas apostar na tecnologia em prol do serviço tem sido uma decisão acertada para muitas empresas. Afinal, o cliente quer ser bem atendido, ter bom conteúdo, receber bem pelo que ele paga. Isso não é segredo há algum tempo, e a fórmula é simples.

Traçar um paralelo com a Revolução Industrial do século 18 talvez seja um exagero, mas é sempre bom ficar de olho nas oportunidades que a tecnologia nos oferece. Na próxima vez que for pensar em um negócio lembre dos exemplos que usam o bom serviço em sua vantagem, e casam isso com preços atrativos e vontade de atender bem. A preocupação com as máquinas? Deixe para isso para o Exterminador do Futuro.