Crise é principal tema no Congresso E-Commerce Brasil de Vendas

Evento em São Paulo reuniu 1.800 congressistas e 56 expositores em São Paulo

Por Vanessa Santos - Em 11.03.2016


A crise econômica brasileira foi o grande assunto do Congresso E-Commerce Brasil de Vendas, que aconteceu nos dias 9 e 10 de março em São Paulo. O evento, que acontece desde 2012 e reuniu 1.800 congressistas e 56 expositores no WTC Events Center, é realizado desde 2012 e conhecido como o mais tradicional do setor focado em vendas.

Crescimento na crise

“Está complicado criar um negócio que cresça e seja rentável no varejo digital.” Depois de um primeiro dia todo focado em workshops fechados para varejistas foi assim que começou o segundo dia, com a palestra de Andres Mutschler, Fundador e Co-CEO da Westwing. Ele revelou os novos caminhos da marca e detalhou o crescimento através de curadoria e marketing integrado para superar os tempos difíceis. “O mais interessante é que o e-commerce te força a inovar diariamente. A economia também está complicada, mas vamos ficar só reclamando? Não. Precisamos pensar positivo e inovar”, definiu.

Mutschler revelou que na Westwing o e-commerce é igual emotion commerce, ou seja, o modelo de negócio da marca funciona melhor com o público feminino. “O nosso processo de compra é movido muito mais por inspiração. Usamos um formato de shoppable magazine, que é uma revista comprável. O nosso site é feito para a pessoa ter vontade de entrar todos os dias”, explicou.

Inovação pode ser a solução

Na segunda palestra do dia, Leo Longo, diretor de marketing para e-commerces da Ambev, falou sobre as ações inovadoras da marca em comunicação digital para o varejo. “O supermercado tem a limitação de gôndola. A internet não. Em 2012, 60% de todas as conversas sobre marcas online eram sobre marcas da Ambev”, disse. Longo comentou ainda que na empresa eles sempre pensam em formas de integrar o digital com o físico para alavancar vendas. “Em 2013 estávamos com uma relação delicada com o varejo por conta da economia. Os bares estavam aumentando o preço da cerveja e os consumidores acreditavam que a culpa era da gente. Para ajudar a resolver essa questão nós criamos o GPS Skol, que mostrava para o consumidor o ponto de venda que oferecia o melhor preço. Usamos a tecnologia para alavancar a venda no bar”, lembrou.

O executivo aconselhou as marcas a avaliarem de fato suas opções e não simplesmente inovar por inovar. “Na Ambev primeiro pensamos na execução antes de colocar as coisas no ar. Nesse momento estamos intensificando as ações na área de e-commerce, de cervejas especiais e das experiências com marcas artesanais. Precisamos se reinventar para fazer o futuro acontecer”, acredita.

Embora a compra de bebidas pela internet ainda não seja uma realidade no Brasil, Leo Longo ressaltou que outros mercados acabaram encontrando formas de estarem presentes. “Se o mercado da moda, que necessita de experimentação, funciona bem no e-commerce, porque o mercado de cerveja não pode funcionar?”, questionou. “Cada segmento tem uma estratégia de campanha, mas precisamos tocar no coração das pessoas. Precisamos pensar na riqueza que o e-commerce oferece para conseguir atingir os consumidores. Um excelente exemplo foi a campanha ‘Buy a Lady a Drink’, que ao comprar um cálice da Stella Artoir, cada pessoa garantia água potável a uma outra pessoa de um país em vias de desenvolvimento. Em 2015, a campanha ajudou mais de 290 mil pessoas, com mais de cinco anos de água limpa. E essa campanha funciona principalmente na internet, pois o emocional funciona muito bem na web”, finalizou.

Gestão: o grande desafio

Estimular a equipe para que ela tenha uma cultura do aprendizado é fundamental para o desenvolvimento de qualquer negócio. Pelo menos é o que disse Luiz Pimentel, diretor Sr. de Marketplace e Serviços Walmart E-Commerce. Para ele, o hábito da compra está a favor do setor, mas precisa de uma gestão de qualidade para de fato sobreviver. “Aproximadamente 72% dos consumidores compraram produtos eletrônicos em e-commerces em 2015. Outra pesquisa indica que o setor de varejo eletrônico cresceu 71% em 2015, ante 65% registrados em 2014. Existe muita oportunidade no setor, mas não se vive mais só de talento. É preciso muito mais do que isso. Tem que ser bom também de gestão e isso é um grande desafio”, explicou Pimentel.

A grande estrela do e-commerce é… O Consumidor!

Todo varejista já deve ter se perguntado: o que minha loja tem de mais importante? É esse ou aquele produto? É a infraestrutura em si? Segundo Alexandre Bessa, professor de comportamento de consumo do E-Commerce Brasil a resposta é uma só: o consumidor. “Tudo começa no cliente. Afinal, é ele quem manda”, disse. “Existe estímulo, sazonalidades e tráfego orgânico. Na questão orgânica e sazonalidade não podemos interferir, mas o estímulo conseguimos controlar. Por isso eu desafio você medir o small data, ao invés do big data”. Bessa explica que todo estímulo é uma promessa para o consumidor, pois gera ansiedade suficiente para tirar o consumidor da zona de conforto.

O professor explicou ainda que existem quatro ciclos virtuosos do consumidor, e todos precisam ser cumpridos: faça sua promessa; cumpra; surpreenda; faça o cliente retornar. O especialista comentou ainda que as mídias estão cada vez mais co-dependentes umas das outras. “Isso nos força ainda mais a entender os diferentes tipos de mídia e quais devemos usar dentro do negócio”, disse.

Próximo evento

A próxima parada do E-Commerce Brasil é em Brasília, com a Conferência E-Commerce Brasil DF. O evento acontece no dia 28 de abril, e as informações sobre palestrantes, venda de ingressos e temas discutidos estarão disponíveis em breve no site www.ecommercebrasil.com.br.