Crise? O e-commerce vai muito bem, obrigado!

Setor registrou crescimento de 8% em relação ao mesmo período de 2015

Por Vanessa Santos - Em 13.05.2016


O ano é de crise, e não se fala de outra coisa. E as datas mais importantes para o varejo – na ordem, Natal e Dia das Mães – mostram indicativos reais de que ela está pesando no bolso dos brasileiros. Para se ter ideia, as vendas do Dia das Mães tiveram o pior desempenho desde a criação do indicador da Serasa Experian, em 2003. Na semana entre 2 e 8 de maio foi registrada queda de 8,4% em relação a semana de 4 a 10 de maio de 2015, segundo a companhia. Considerando apenas o final de semana do Dia das Mães, houve queda de 9,5% em todo o país sobre o mesmo período do ano passado.

O curioso é que esses números mostram a realidade apenas do varejo offline. Sim, por que o e-commerce só cresce! De acordo com a E-bit/Buscapé, do dia 23 de abril até 7 de maio o e-commerce teve um faturamento de R$ 1,62 bilhão, registrando um crescimento nominal de 8%, em relação ao mesmo período em 2015, quando os ganhos chegaram a R$ 1,51 bilhão. Neste ano, 4 milhões de pedidos foram feitos via Internet, o que representa um crescimento de 2% na comparação com 2015.

E não para por aí! O tíquete médio também aumentou, passando de R$ 380, no ano passado, para R$ 402. No Top 5 de categorias mais vendidas, “Eletrodomésticos” foi a líder com 13,1% de participação de pedidos, seguida por “Moda e Acessórios” (12,9%), “Livros” (12%), “Telefonia/Celulares” (10,6%) e “Casa e Decoração” (9,1%). Também teve destaque o m-commerce, que cresceu 100% em pedidos, atingindo 20,2% das compras online no período. Foram 816 mil encomendas feitas por smartphones e tablets nesta data ante os 407 mil em 2015, mostrando a evolução significativa do uso de dispositivos móveis pelos e-consumidores brasileiros.

A pergunta que fica é: por que o varejo online só cresce, enquanto o offline apresenta resultados tão desanimadores? Segundo Vivianne Vilela, diretora executiva do E-Commerce Brasil – reconhecido como principal fomentador do mercado de comércio eletrônico no Brasil -, são muitos os fatores que dão ao e-commerce essa vantagem. “A comodidade por poder fazer a compra no horário livre sempre foi um fator determinante. Mas, em tempos de crise, ter acesso a um mix de produtos e ter a chance de fazer pesquisas em busca do melhor preço é um grande diferencial. E tudo isso a um clique de distância”, analisa.

A tendência é que os bons resultados continuem aparecendo já que, segundo Relatório Conversion do E-commerce Brasileiro 2016, estudo recentemente divulgado pela Conversion, o comércio eletrônico deve movimentar em 2016 a cifra de R$ 69,76 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao último ano. Será que isso quer dizer que uma das saídas para a crise econômica está justamente no varejo online? Vamos acompanhar os próximos meses.

Vale lembrar que, com o objetivo de discutir esse e outros assuntos pertinentes ao setor, varejistas de todo o país vão se reunir no Fórum E-Commerce Brasil 2016. A programação preliminar já está disponível e a contagem regressiva começou: faltam apenas 74 dias!