Curso de inglês e educação: a ideia de Bernard Vasconcellos

Bernard Vasconcelos é CEO do Britannia e conta um pouco da sua história empreendedora

Por Vanessa Santos - Em 31.08.2015


No último semestre, quem chegava no Britannia do Novo Leblon e conhecia o professor Bernard, poderia pensar que estava apenas em uma aula normal, como tantas outras dadas por outros profissionais competentes. Afinal, o instituto tem mais de 40 anos de tradição e é conhecido pela qualidade de seus docentes. Mas mal sabiam esses alunos que aquele não era só o professor, mas também o CEO da instituição, e que ele tem uma longa história ligada à educação: Bernard Vasconcelos tem 32 anos e é neto de João Uchôa Cavalcanti Netto, fundador da Universidade Estácio de Sá.

Mas não tem como falar dessa história sem voltar ao ano de 1991. Então com 8 anos, Bernard, seus pais e seu irmão Richard mudaram-se para os Estados Unidos. “Meus pais abriram uma agência de turismo em Orlando, na Flórida, e se desligaram dos empreendimentos do meu avô no Brasil, embora minha mãe naturalmente tivesse cotas”, explica. Lá fez todo o ensino fundamental e médio, e chegou a ingressar na faculdade de Astronomia. “Fiz como todos os rapazes americanos e fui morar na universidade. A verdade é que eu estava bem americanizado mesmo, mas fiquei apenas um semestre”, conta.

Mas o sonho americano chegou ao fim no dia 11 de setembro de 2001, data em que os Estados Unidos sofreram uma série de ataques suicidas coordenados pela organização fundamentalista islâmica al-Qaeda. “Aquele foi um dia que mudou a vida de muita gente”, diz Bernard. “A agência dos meus pais vendeu muitas viagens para brasileiros voltando ou que resolveram se mudar para a Europa. Decidimos que seria melhor voltar também”, explica. Com a ajuda do avô prepararam o retorno para o Brasil e, no começo do ano seguinte, pisavam em terras brasileiras novamente depois de mais de 10 anos.

Mas retomar a vida no Brasil não foi nada fácil. “Tive que reaprender o português, até mesmo para conseguir prestar vestibular”, conta ele, que se formou em Arquitetura na própria Estácio. Logo depois, pensando em um futuro onde assumiria o legado do avô, ingressou na pós graduação de Prática de Ensino Superior da mesma instituição, onde começou a dar aulas tanto no curso de arquitetura quanto no de engenharia, chegando inclusive a assumir a coordenação adjunta do primeiro.

Mesmo tendo chegado a trabalhar em obras como arquiteto, Bernard queria mesmo era seguir os passos do avô. Pensando nisso, em 2008, já casado, embarcou com a família para Londres a fim de fazer um mestrado na área de ensino na Universidade de Londres. “Pensava que no futuro acabaria assumindo os negócios da minha família na Estácio”, diz. No entanto os planos não saíram conforme o planejado: enquanto estava lá, João Uchôa Cavalcanti Netto e sua filha Monique Uchôa Cavalcanti de Vasconcelos venderam todas as suas cotas no empreendimento. “Quando voltei a universidade não era mais da minha família, e precisei pensar no que fazer a seguir”, lembra.

Em 2009 resolveu abrir um curso de inglês na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. “Optamos pela Barrinha pois identificamos essa demanda naquela região, que não tinha um curso premium embora fosse cheia de escolas”, explica. Já no primeiro semestre o empreendimento foi um sucesso. “Conseguimos 40 alunos, superando a meta estabelecida”, diz. Mas, pouco tempo depois, uma funcionária o apresentou à Susan Mace, fundadora do Britannia, e assim a história começou a tomar outro rumo. “Ela estava pensando em vender o curso, e tratava-se de uma instituição muito alinhada com o que pensamos para o Columbia”, conta, explicando que depois de uma longa negociação, fecharam negócio em 2010.

O Britannia, então com quatro unidades, de cara ganhou a quinta: o curso da Barrinha. E ganhou também novos desafios. “Era uma empresa pequena com grande nome, que tinha o intuito de continuar assim, até pra manter a qualidade. Todas as decisões eram centralizadas na Susan e, por isso, o staff era bem mais enxuto. Então, quando entramos, o maior problema era substituir todo o conhecimento dela e alinhar nosso desejo de expandir com a manutenção de um serviço de alta qualidade”, explica Bernard.

As transformações foram muitas. “Para crescer tivemos que contar com bons profissionais em áreas diversas, como acadêmico, marketing, comercial, operacional, administrativo e financeiro. Contratar as pessoas certas, dividir responsabilidades, confiar, motivar e gerir colaboradores para que a empresa obtenha o resultado esperado é um grande desafio, e passamos alguns anos errando antes de encontrar o nosso caminho”, conta o CEO, que também fez parcerias com editoras para a customização de livros, padronizou a identidade visual, trouxe tablets para a sala de aula, mudou processos e ainda substituiu o antigo sistema, que não era online. “Tem sido um longo trabalho, mas tem valido muito a pena.”, orgulha-se.

Hoje, cinco anos depois, tudo indica que os planos saíram melhor do que o planejado. “Temos 11 filiais, um projeto com uma escola, e contamos com diversos gestores e coordenadores”, conta. Mas os desafios não param de chegar. O principal deles: inovar. “Renovamos todos os nossos cursos nos últimos dois anos, e nesse ano abrimos o nosso portfólio com vários cursos extracurriculares em inglês – os Plus Courses -, tais como robótica, rugby, teatro, culinária para crianças, entre outros. Também inauguramos no final de março um centro cultural, o Espaço Britannia, onde acontecem peças de teatro, shows, jantares temáticos, colônias de férias, cursos, exposições, eventos corporativos, e muito mais”, conta orgulhoso. Segundo ele, em uma era onde o cliente é cada vez mais exigente, é preciso sempre se reinventar. “Isso tudo torna a nossa empresa mais dinâmica e mais interativa com a comunidade”, diz.

Mas o que um jovem empreendedor de sucesso diria para quem está começando? “Estude, trabalhe, sonhe e corra atrás do seu sonho. Não se acomode! Se passar por dificuldades, enfrente-as! Se está tudo tranquilo, busque novos desafios. Experimente ideias novas! Não há regras para o sucesso. Lembre-se de que o mundo é muito maior do que parece. Não se isole, busque conhecer coisas novas e novos parceiros de negócios”, diz Bernard, que fez o CELTA – curso para certificação da Universidade de Cambridge exigida para todos os docentes da instituição, e que no Rio de Janeiro é ministrado apenas pelo Britannia – e, vez ou outra, assume turmas como professor. “É importante estabelecer esse vínculo com os alunos, principalmente os mais jovens. Além disso, é fundamental conhecer o negócio”, finaliza.