Diário de Viagem Empreendedor: San Francisco

Por Monique Fernandes - Em 02.10.2014


Pela primeira vez, depois de quatro anos trabalhando com tecnologia, eu fui a San Francisco para acompanhar o principal evento de startups do mundo, o TechCrunch Disrupt. Confesso que, voltei com o desejo de compartilhar todas as experiências que vivi durante aqueles 15 dias respirando “A” cultura empreendedora, visitando empresas, fazendo networking com pessoas do mundo inteiro e vivendo com o jeito americano de fazer negócios. Foi, desse desejo, que surgiu esse post para o blog da Tagarela!

01

 

Apesar de ser o principal evento de startups, é um evento como tantos outros. O que faz todos querem ir para lá, é que andando pelos corredores do Disrupt você caminha lado a lado com pessoas que você não encontra facilmente, como o CEO do Airbnb, fundador da SalesForce e investidores do mundo inteiro. Impressiona a presença massiva de brasileiros por lá, 2014 é o primeiro ano em que o Pavilhão Brasileiro, foi o que levou a maior delegação de startups. A cidade fica cheia de eventos de networking e uma agenda exclusiva para gente.

 

02

 

Mas, o grande charme de San Fran não é o TechCrunch, mas sim a atmosfera empreendedora que está por toda a cidade. E abaixo seguem as minhas principais lições:

– Espaços de coworking por toda a cidade, sempre muito grandes e cheio de pessoas. Para eles, trabalhar num espaço desses, é muito importante, pois os “early adopters” da Startup são os coworkers e eles quem vão ser os evangelizadores do produto para fora daquele sistema;

 

03

 

– As pessoas conversam e trabalham em conjunto. O engenheiro do Twitter trabalha em conjunto com o do Facebook desde que seja para executarem uma integração entre as duas plataformas;

– Os concorrentes conversam entre si. Por isso, é muito mais comum vermos aquisições de empresas no mercado americano do que no brasileiro;

– Americano é pontual. Acredito que tão pontual quanto o britânico. Se você marcou, às 10h, chegue às 9h50min. Se você chegar atrasado e ainda for a primeira reunião causará uma péssima impressão. Americano não entende essa cultura brasileira que 10h, pode ser 10h30min;

 

04

 

– Eles vão direto ao ponto! Não estão sendo grosseiro com você se, por acaso, perguntarem o que de fato quer. Apenas estão sendo objetivos, e sabe o quanto o tempo vale. Eles não entendem como, nós, levamos uns 20 minutos de conversa para, só então, falar o que realmente queremos;

– Os americanos não distribuem cartões de visita a qualquer um. Se pedirem o seu, realmente estão interessados em você. Normalmente, eles vão te pedir o seu e dizer que estão sem cartões no momento;

– A cultura do Networking é extremamente forte entre eles. É muito comum, você está em um evento e as pessoas estarem circulando, ao invés de ficarem paradas como vemos por aqui. Não estranhe se você for abordado por alguém sorridente, dizendo: “Olá, eu sou Fulana. O que você faz?”;

 

05

 

– As empresas estão sempre preocupadas com o bem-estar dos funcionários. Todas as companhias tem, pelo menos, uma pessoa responsável pela cultura disseminar e manter a cultura da empresa e pensar na qualidade de vida das pessoas que trabalham ali;

– As leis americanas são pró-empreendedorismo, diferentemente daqui. Eles são incentivados desde crianças a empreenderem. Desde a barraquinha de limonada na porta de casa até à faculdade, é tudo voltado para empreender.

Depois de viver tudo isso, ficou claro para mim que, para transformar o Rio, São Paulo, Recife, BH ou qualquer outra cidade brasileira em Silicon Valley é preciso muito mais do que um espaço de Coworking. É preciso começar a rever as leis, fazer de fato a reforma tributária e o governo passar valorizar o empreendedor como um dos grandes movimentadores da economia do nosso país, e, a mídia mostrar, de fato, que não tem nada de glamour empreender.

Ainda temos muito o que fazer, mas não é impossível criar uma cultura empreendedora por aqui. Eu acredito que podemos transformar o Brasil em um país de empreendedores!