Em meio a crise: profissionais são substituíveis, pessoas não

Demissões podem ser o caminho certo? Substituir um funcionário eficiente é vantajoso? Talvez haja outro caminho

Por Leonardo Leão - Em 22.09.2015


A crise tomou conta do país e cortar gastos se tornou natural para as empresas. Imagine que tenho um time de futebol de pelada e pedimos pequenos patrocínios em troca de espaço no uniforme e obtivemos dificuldade, pois ninguém quer investir em publicidade nesse cenário. Nos veículos da imprensa, vemos demissões em massa daqueles que melhor representam estas organizações: os jornalistas. Será que essa é a melhor maneira de ultrapassar a crise?

Vamos falar primeiro de Comunicação. Por trabalharmos na área, percebemos diariamente o medo que os empreendedores têm de investir no ramo. As vezes, parece que não sabem realmente do que se trata. Em outras, a ideia é de que entendem, mas acham que não fará diferença para a empresa. Por isso, muitos cortam o investimento, o que no meu ver é um tiro no pé.

Áreas da comunicação dessa empresa também sofrem cortes, pois seus gestores acham de verdade que a valorização do funcionário e do ambiente organizacional deve ser levado a segundo plano. Levam o lucro da empresa como a unica célula importante do funcionamento normal do organismo.

Amo futebol e vou compará-lo com a comunicação. Se a empresa é um time, a comunicação tem uma parte (interna) que representa os volantes, a base do time. A outra parte (comunicação externa) são os atacantes. É assim que você fortalece o seu elenco e se mostra para o mundo, dribla, corre, aproveita as oportunidades e, consequentemente, marca os gols. Mas aí a crise, que seria um jogo fora de casa, chega. E então, o que você faz? Recua?!

Não! Vá pra cima! Ataque na crise! Mostre-se forte! Não perca sua identidade! As pessoas não param de se comunicar por causa da crise. Elas apenas mudam sua forma de consumir, elas se tornam mais seletivas, buscam os diferenciais, pois não podem errar. Abre-se uma chance para os melhores (ou os que mostram ser) aparecerem. No momento que mais o público precisa te conhecer e lembrar de você, você se esconde? Qual o sentido?

E os funcionários? Demitir funcionários é, em primeiro, desregular a sociedade. Colaboradores são cidadãos, integrantes de um público, consumidores em potencial. Demiti-los desmotiva e desvaloriza aqueles que fazem a sua empresa ser o que é. É uma lógica reversa. Um exemplo bobo: você tem uma marca de tênis e demite 30 funcionários. Os filhos dessas pessoas, consumidores da marca, vão comprar como? E o filho dos empreendedores que viviam dessas 30 que foram multiplicadas em centenas (se centenas de empresas pensarem do mesmo jeito) e deixaram o mercado mais pobre?

Sem contar a insegurança que vai rondar uma organização onde o principal assunto é a demissão em massa. Não ache que o funcionário vai se empenhar mais por causa disso. Eles nunca se sentem correspondidos (erro da comunicação) e vão achar que isso não os segurarão. Então o medo tomará conta, e consequentemente, o erro. Colaboradores felizes e unidos rendem muito mais do que um grupo inseguro e que vê o colega ao lado como um concorrente.

Toda crise tem seu inicio, meio e fim. Saber segurá-la é sim um diferencial. Inovação e criatividade. Corte os gastos desnecessários. Uma boa comunicação engajará seus colaboradores a segurarem as contas e procurarem soluções para que os cortados não sejam eles. Saber que ninguém será cortado em troca de ideias é a saída, e não selecionar quem será a pessoa cortada. Sustentabilidade reduz custos. A comunicação ajuda na transmissão desses valores. Você ainda quer cortá-la?

Fizemos uma pauta com o We do Logos justamente sobre isso: Gustavo Mota, CEO da empresa, ao se deparar com a crise, reuniu todos os departamentos para que cada um arrumasse soluções para cortar os gastos. Desde luz até o servidor da plataforma. Todos trabalharam unidos para resolver o problema. E resolveram. O We do Logos permanece com sua equipe inteira. Não precisou demitir ninguém.

Olha o Itaú, no meio da crise, com os bancos sofrendo em demasia, acha uma brecha na zaga (um tal de Rock in Rio) e arrisca. Lança publicidade e entuba o hit do mês. Quem sabe do ano. Encheu as redes sociais de cânticos emocionantes e tem mostrado o festão que está sendo o RiR. Sabe o que parece para mim? Que o Itaú tá nem aí para a crise, que tá encarando de frente e tá fazendo a festa. Está passando segurança para seus clientes e está dizendo que hoje não é dia de crise, é dia de Rock, bebê.

Uns veem a crise como o fim do mundo. Não entendem que é uma fase chata, que pode demorar um pouco a passar, e por isso vivem na mesmice, com medo de arriscar e tornam esse momento muito mais complicado. Enquanto isso, outros ultrapassam-a de um jeito leve, dançando e cantando os hinos de Freddy Mercury, ou melhor, na voz de Adam Lambert – que não substituiu o ídolo dos anos 80, apenas trouxe sua visão ao cenário musical.