“Eu escolhi empreender por paixão”

Lisabeth Braun, fundadora da Dermage, conta como foi começar a empreender na década de 70

Por Vanessa Santos - Em 11.03.2015


O ano era 1978, e a bioquímica Lisabeth Braun inaugurava seu primeiro negócio. Percebendo que tratava-se de uma grande oportunidade, e contrariando todos os fortes preconceitos da época, vendeu seu carro e junto com uma sócia criou a Dermatus, primeira farmácia de manipulação do gênero no Brasil, dando início a uma bem-sucedida história empresarial.

A Dermatus chegou a ter quatro lojas mas, por conta das divergências, Lisabeth separou-se da antiga sócia e criou em 1990 a Dermage. A empresa sempre teve como objetivo oferecer à classe médica e aos pacientes o que há de mais moderno em dermatologia, e conta hoje com mais de 100 produtos para rosto, corpo e cabelos, além de protetores solares e maquiagem, todos produzidos em laboratórios próprios.

Hoje, a farmácia de manipulação está presente em todo o território nacional, com 35 lojas entre próprias e franquias, 80 pontos de revenda multimarcas e nas principais redes de drogaria do Rio de Janeiro e São Paulo. Lisa, como é mais conhecida, faz parte do seleto time de empreendedores Endeavor e nos contou sobre sua trajetória.

Tagarela: O que te levou a empreender?
Lisabeth Braun: Acho que eu não sabia ainda que ser empresária era algo tão difícil. Quis empreender por paixão. Por acreditar que faria bem mesmo com tantas dificuldades, como a burocracia e administração disso tudo. Não sei se hoje, sabendo de todos esses entraves, teria tido coragem de seguir em frente. Ano passado, por exemplo, perdemos um tempo enorme fazendo um orçamento para esse ano. Mas todos os executivos tiveram que jogar isso fora, pois mudou tudo. Empreender é todos os dias acordar e matar um leão. Tenho certeza de que, junto com a minha equipe, sou quase uma heroína por estar há quase 30 anos em um mercado como esse, cheio de incertezas, trabalhando e tendo sucesso.

Tagarela: Você desfez a sociedade na Dermatus e, nos anos 90, abriu a Dermage sozinha. Por que?
Lisabeth Braun: Eu sentia a necessidade de enfrentar novos desafios e acreditava que o momento era aquele. Quando começamos a expandir a Dermage, cheguei a me sentir muito solitária na tomada de decisões e na hora de escolher os rumos da empresa. Nesse sentido a equipe de funcionários e médicos do laboratório foram fundamentais. Além disso, contei com a colaboração de gestores e consultores, que acompanhavam cada decisão tomada dentro da empresa.

Tagarela: Quais foram seus maiores obstáculos nessa trajetória?
Lisabeth Braun: Estou acostumada a viver na adversidade. Acho que a maior dificuldade ao longo desse tempo veio com o Plano Collor. Agora vivemos outro momento complicado, de recessão, aumento de tributos… No meio de uma crise, temos que criar e recriar. Para quem decide empreender creio que é uma época muito difícil. Para ter sucesso nesse momento você precisa ter uma ideia maravilhosa, algo bem transformador. O mercado está mais difícil do que nunca, mas creio que dentro de dois anos essa maré vai mudar.

Tagarela: Acha que o fato de ser mulher tornou essa tarefa mais complicada?
Lisabeth Braun: Ser mulher e empreendedora é ainda mais difícil, pois assumimos vários papéis dentro da sociedade. Você tem que ser mãe, amiga, dona de casa e esposa. E ainda tem que estar sempre inovando, fazendo integrações, conhecendo novas pessoas.