Funcionários desmotivados: quem é o culpado?

Como convencer a sua equipe a lutar para manter a sua empresa viva?

Por Keli Ricarte - Em 02.10.2015


Eu acredito que em 99% das empresas existem funcionários desmotivados e na grande maioria das vezes, o culpado não é apenas o funcionário. O problema é que os gestores possuem dificuldade em perceber sua contribuição para a desmotivação da equipe.

É comum, logo após a saída de um funcionário ouvirmos algo como “Ele era preguiçoso” ou “Fazia muito corpo mole”. A verdade é que, como em todo fim de relacionamento o responsável é sempre o outro e não nos damos conta da nossa parcela de culpa para esse término.

Não existe uma “fórmula mágica” para manter os funcionários motivados ou motivá-los. Isso é um processo que leva tempo de adequação e varia de empresa para empresa e de funcionário para funcionário, afinal as pessoas não são iguais e a cultura organizacional das empresas também não.

E apesar das empresas serem diferentes, a maioria dos gestores possui certezas equivocadas em comum. Muitas pessoas se perguntam o que deve-se fazer para manter uma equipe motivada, mas esquecem de pensar no que não se deve fazer para manter a motivação da equipe e é sobre isso que vamos falar um pouco.

“A culpa é do estagiário”

O fato de um indivíduo atribuir a responsabilidade dos fracassos a outras pessoas ou fatores externos e os sucessos a si ou a fatores internos chama-se Viés da Autoconveniência e é estudado pela psicologia. Porém apesar de ser comum, não é correto atribuir a responsabilidade do fracasso ou sucesso de algo a uma pessoa se uma equipe inteira, inclusive o líder e/ou chefe, trabalhou para que ocorresse. O correto é substituir o pronome “eu” ou “você” por “nós”. “Nós falhamos” ou “Nós fomos um sucesso” soa melhor que “Você falhou” e “Eu fui um sucesso”.

“O ônibus quebrou… Aham… Sei…”

Não é errado os gestores cobrarem pontualidade de seus funcionários, porém imprevistos acontecem e ninguém está livre deles. O fato é que as pessoas tendem a dar menos importância a influencia de fatores externos nos acontecimentos. Podemos exemplificar da seguinte forma: um funcionário chegou atrasado. O que a maioria dos gestores julgam é “dormiu mais que a cama”, porém para fazer tal julgamento três fatores devem ser levados em consideração:

Diferenciação – Este funcionário chega sempre atrasado?
Consenso – As pessoas que percorrem o mesmo trajeto por volta do mesmo horário também chegaram atrasadas?
Coerência – Nas vezes que ele chegou atrasado, agiu dessa mesma forma?

Essa análise chama-se Teoria da Atribuição e deve ser aplicada dentro das empresas para evitar desgastes desnecessários na relação gestor – funcionário.

“A porta da rua é a serventia da casa”

Os gestores inseguros tendem a reforçar sua forma de poder com ameaças ao funcionário e isso faz com que ele se sinta descartável. Quando alguém recebe uma visita em sua casa e a trata mal, faz com que essa pessoa não queira estar ali pois não se sente confortável. É da mesma forma em uma empresa. Quando o funcionário não é valorizado, não se sente parte da equipe e isso interfere na sua motivação. Quando a ameaça é cumprida, gera custos para a empresa com recrutamento, seleção e treinamento para a substituição do pessoal. Sim, demitir gera custos desnecessários e em cenário de crise, não se pode permitir que isso ocorra.

“Você é pago para isso”

A grande verdade é: bom salário não é sinônimo de funcionário motivado e isso é comprovado pela psicologia. Claro que um funcionário deve receber de acordo com a sua função e atividades desempenhadas, mas isso não significa que este funcionário estará motivado. Segundo a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg, o salário não entra no fator motivacional e sim higiênico, ou seja, um funcionário que recebe um valor menor pode estar mais motivado dentro de uma empresa por inúmeros motivos, possibilidade de crescimento, reconhecimento, boa gestão do setor.

“Se você fosse bom estaria no meu lugar”

O principal fator da desmotivação é o não reconhecimento e não valorização dos funcionários por seus gestores. O ser humano tem a necessidade de se sentir acolhido e quando isso não ocorre, acarreta sentimentos como insatisfação e frustração.

Por esse motivo, as necessidades sociais, estima e realização pessoal estão no topo da pirâmide da Teoria das Necessidades de Maslow e são consideradas fatores motivacionais pela Teoria dos Dois Fatores de Herzberg.

Na empresa, seja ela qual for, existirá funcionários desmotivados e engana-se quem pensa o contrário. Por isso, os gestores devem estar bem preparados para saber agir diante dessa situação.

Uma organização é como um corpo e, quando perde uma parte, ela faz falta, pois deixa de funcionar com sua capacidade total. Apesar de clichê, os gestores continuam cometendo os mesmos erros e causam a “morte” da sua empresa. Para finalizar, se você é um dos gestores que agem de uma ou mais maneiras citadas acima, deixo-lhes uma questão: Como manter um corpo vivo se os seus componentes não possuem o desejo para tal? Está na hora de repensar.