Mexer na Internet do povo pode ser um tiro no pé

Telefonias tentam limitar a internet e revoltam usuários na rede

Por Leonardo Leão - Em 22.04.2016


Você já deve ter ouvido falar sobre o projeto das operadoras de telefonia em limitar a internet banda larga fixa. Caso não, faço um breve resumo. A ideia é, basicamente, transformar a conectividade wifi em um pacote de dados. Porém, o limite será muito baixo (e caro), diferente do que acontece na Europa, por exemplo. Enquanto em alguns países o pacote mais barato começa em 500gb, aqui teremos algo em torno dos 150gb no plano mais caro. Ou seja, essa conta não bate.

E aí, como reflexo, as telefonias estão criando uma guerra com toda a sociedade. Internet não é partido político, opção sexual, cor, ou qualquer outra coisa que divide as opiniões. Ela é imprescindível para todos, é amada e adorada pelo povo e por isso, limitar essa paixão é um tiro de escopeta no pé. A internet não serve somente para lazer. Hoje em dia, muita gente tira sua renda por ela.

Influenciadores da Web convocam protestos online

Famosos como Felipe Neto usaram o Twitter para reclamar da ideia: “Enquanto a Vivo não desistir da ideia do limite, a proposta segue sendo essa: pobre não poderá consumir Netflix e YouTube”. É prejudicial não só para os usuários de pouca renda, como os pequenos empreendedores que dependem da internet em suas empresas, como ressaltou André Noel, outro influenciador da web, em sua conta no Twitter. Tanto Felipe Neto, quanto Andre Noel gravaram vídeos convocando seus seguidores a protestarem. Andre propôs um dia inteiro de downloads para sobrecarregar a rede, e chamou o movimento de #MegaBaixaria.

Essa estratégia errada de gestão exige um esforço triplicado da comunicação, e se torna uma crise difícil de contornar. Na verdade, só vai se resolver voltando atrás e transformando essa impressão em algo bom, o que exige muita criatividade e empenho. Insistir com essa ideia não será bom para a reputação das empresas. Não terá gerenciamento de crise que aguente.

Clientes se revoltam na internet, operadora não ouve e falha na Comunicação

As páginas das operadoras que estão adotando o limite estão sofrendo um bombardeio de críticas na internet. Principalmente a da Vivo – que capitaneia a mudança. A hashtag #InternetJusta já tomou conta da rede. O setor de Comunicação da empresa está tendo que trabalhar muito. Mas também tem cometido os seus erros. A ideia de colocar um comercial na TV falando sobre viver sem a necessidade da internet não foi bem aceita. Por mais que seja um belo vídeo, chegou em hora errada. O fato do presidente da Anatel não colaborar também atrapalha. Suas entrevistas aumentaram a indignação do povo.

A Tim tem ido na contramão da maioria e tem se dado bem. Se souber aparecer e tiver com infraestrutura preparada para crescer, vai receber muito usuário que já se propõe a trocar de operadora. Nas fan pages, a marca já lança a ideia de que a internet deve ser ilimitada e lançou a hashtag #FazerDiferente. Vamos aguardar os próximos capítulos para ver quem serão os protagonistas e os vilões. Mas uma coisa é certa: a imagem da Vivo vai sair bem arranhada dessa história.