Nem todo empreendedor está nessa por dinheiro

Ainda que seja importante, o dinheiro nem sempre paga a satisfação de fazer bem.

Por Felipe Vinha - Em 12.08.2015


Nem todo empreendedor está nessa por dinheiro. Não quero ser hipócrita a ponto de dizer que o vil metal não é importante. Pelo contrário, é, e bastante. Contudo, cabe pensar no objetivo que se tem ao iniciar um empreendimento. Afinal, empreender é resolver um problema, atender a uma demanda, e nem sempre ela vai te trazer algum ganho físico ou palpável.

Empreender é aprender

Para me fazer entender melhor, posso citar casos onde estive diretamente envolvido. Além de trabalhar na área da comunicação, sou também organizador de eventos. É algo que eu quis fazer “desde criancinha”? Não necessariamente. Acontecimentos ao meu redor me levaram a isso – a boa e velha demanda, além do senso de oportunidade.

Um dos eventos que organizo envolve jogos de tabuleiro. Inicialmente eu me reunia com um grupo similar, para jogar em um local bem distante da minha casa. Com o tempo, percebi que na região onde eu morava não havia um grupo similar, mas tínhamos fãs e jogadores deste gênero localizados por lá, que gostariam de ter uma oportunidade de se reunir como no local onde eu frequentava.

O próximo passo foi quase óbvio: viabilizar um evento do tipo em local próximo de minha casa, dando oportunidade para outros que tinham a intenção de participar, mas não possuíam meu mesmo ânimo de ir a um local tão distante. Fui atrás, escolhi o lugar – após estudar cuidadosamente as alternativas –, conversei com os responsáveis para criar um acordo de uso de espaço e pronto, evento criado, realizado e com público satisfeito.

Hoje, ele já consta no “calendário oficial” do local e é realizado em caráter mensal. O mais interessante disso tudo é o fato de ser um evento aberto, gratuito e direcionado a todo o tipo de público – famílias, jogadores de longa data, novatos, curiosos, grupos de amigos. Eu mesmo possuo uma biblioteca de jogos oferecidos aos visitantes, sem distinção de quem são, e as pessoas ainda aproveitam a praça de alimentação.

O que eu ganhei com isso? Experiência, principalmente, para organizar outros eventos, por exemplo. Não é ao acaso que já faço isso com um segundo projeto, sem relação com jogos, envolvendo outro tipo de público. Talvez eu possa monetizar o primeiro evento um dia, talvez não. Além da experiência, ganhei satisfação em fazer o que eu gosto de forma sadia, sem restrições, e poder transmitir isso a terceiros.

Descola da cadeira, crie, evolua

Além do meu exemplo pessoal, posso citar aqui uma empresa que faz algo parecido, apenas como um exemplo mais amplo. A Techstars, ex-UP Global, tem ideias semelhantes com seus Startup Weekend, série de eventos que promovem o empreendedorismo ao redor do mundo, inclusive com edições diversas já realizadas no Brasil.

Durante 54 horas, em três dias, grupos de pessoas se inscrevem para desenvolver um projeto, criar uma empresa, e promovê-la para jurados presentes. O vitorioso leva uma premiação – que varia de edição para edição – e a chance de divulgar essa ideia de forma mais abrangente.

Ainda que seja um evento monetizado – afinal, uma empresa precisa se manter – e com inscrições pagas pelos participantes, o organizador está lá apenas para promover o empreendedorismo das pessoas e incentivá-las a criar, a evoluir. A figura do organizador, aliás, é eleita pela Techstar, mas não é uma pessoa que trabalhe para eles. É, geralmente, alguém com vivência no assunto do evento e com vontade de estar ali, principalmente.

O dinheiro move mundos e dita regras. Ele é primordial na nossa sociedade e para vivermos de forma compatível com o cenário mundial. Mas nem sempre precisa ser nosso objetivo. Nem sempre é o que vai pagar a sua satisfação e realização.