O jornalismo está morrendo? Achamos que ainda não

Há meios de salvar o "barco afundando", desde que estejamos abertos a mudanças

Por Vanessa Santos - Em 03.05.2016


Hoje, dia 3 de maio, comemoramos o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. A data celebra no mundo todo o direito de publicar e ter acesso a informações através dos meios de comunicação de massa, sem qualquer tipo de interferência, inclusive do Estado. Mas em tempos de crise, com demissões em massa e redações de jornalismo fechando as portas, será que temos alguma coisa para comemorar?

A crise

No último dia 29 o Jornal do Commercio colocou nas bancas a sua última edição depois de 181 anos. Vítima da crise do setor e dos Diários Associados, a publicação foi fundada em 1827 e era o segundo diário mais antigo em circulação no país. Pouco menos de um ano antes o Brasil Econômico, do grupo Ejesa, também encerrou suas operações, ao menos no impresso. A publicação, que era especializada em economia, circulava desde 2009. O motivo alegado para o encerramento de ambos foi o mesmo: a crise econômica brasileira e a conjuntura do mercado publicitário.

E mesmo quem (ainda) não fechou as portas vem encontrando dificuldades. Mais de 1.400 jornalistas foram para rua só no ano passado, segundo levantamento do portal Comunique-se. As empresas alegaram o de praxe: cortes orçamentários e reformulações.

Os números realmente surpreendem. O Diário de Pernambuco dispensou 130 funcionários apenas em março de 2015. O grupo Estado de S. Paulo não ficou atrás: somando Rádio Estadão e o jornal Estado de S. Paulo foi responsável por 97 demissões. O grupo Bandeirantes demitiu outros 80. Nem mesmo a gigante Infoglobo, que reúne os jornais O Globo, Extra e Expresso, escapou: foram 200 demissões, sendo 98 de jornalistas, até dezembro do ano passado.

A superação

Mas como superar a crise? A fórmula infalível ainda não existe, mas é inegável que alguns veículos estão se esforçando. Já é comum entrar no Facebook e receber avisos de lives – serviço de streaming de vídeos ao vivo – vindos das páginas do Estadão, O Globo e Extra, por exemplo. A maioria é com entrevistas, sempre contando com a possibilidade de interação do internauta a fim de enviar perguntas. Trata-se de uma forma de manter o jornal vivo na mente das pessoas, que posteriormente podem procurar as publicações para saber mais sobre esse ou aquele assunto.

Além disso, o formato precisa mudar. Há tempos os jornais não são mais os responsáveis pelos “furos”. Já não era mais assim com o advento da TV, e essa tendência se confirmou ainda mais com a internet. Sendo assim, talvez uma forma de manter os jornais interessantes para leitores é repercutir as notícias, como já acontece com as revistas, com uma apuração mais aprofundada e meticulosa, trazendo outros aspectos daquele fato que o leitor já conferiu no dia anterior na web. É ser um complemento para as mídias mais ágeis.

Como disse Leandro Beguoci em seu artigo sobre a reinvenção do jornalismo, “a atenção migrou das plataformas integradas de produção e distribuição para as plataformas de distribuição e interação. A gráfica e o caminhão, a antena e a mesa de centro agora são sociais – e estão ficando móveis. Nós, jornalistas, não temos mais o controle da atenção das pessoas.” E no fim, a verdade é uma só: o mundo mudou, a crise tornou essas mudanças ainda mais latentes, e a seleção é natural como a de Darwin: quem ignorar e não buscar adaptar-se, vai acabar morrendo.