Qual é o papel do cliente?

A relação entre assessor de imprensa e cliente só tem futuro quando ambos desempenham bem seus papéis

Por Vanessa Santos - Em 22.10.2015


Muito se fala do papel da assessoria de imprensa. Já tratamos desse tema aqui no blog algumas vezes. No entanto pouco se fala do papel do cliente, embora ele seja de fundamental importância, na medida em que em qualquer relação de trabalho ambos têm deveres a fim de manter a parceria proveitosa.

Quando recebo um cliente novo é natural um primeiro estranhamento entre ambas as partes. Afinal, estamos nos conhecendo e é muito comum que alguns cheguem sem nunca ter feito esse tipo de trabalho. Para fazer uma boa divulgação é preciso conhece-lo a fundo: forças, fraquezas, diferenciais, projetos… Tudo! Costumamos brincar aqui que de médico, padre, advogado e assessor de imprensa não se esconde nada. Justamente porque precisamos estar preparados para qualquer eventualidade.

Nesse processo de conhecimento é preciso que o cliente tenha uma pessoa disponível – geralmente alguém do Marketing – para esclarecer todas as dúvidas. Elas inevitavelmente vão surgir durante toda a relação, mas no começo é natural que sejam mais constantes. É nessa etapa, inclusive, que acontece algo que considero ainda mais fundamental: o alinhamento. É quando o cliente nos diz o que realmente espera da parceria, e quando podemos ter condições de avaliar se ele de fato nos dá ferramentas para isso. Não adianta querer aparecer em matérias de economia se ele não abre números, por exemplo. Ou que ele queira falar da sua trajetória empreendedora se tem algo nessa história que ele não quer que venha a público.

Feito isso nosso trabalho pode começar efetivamente. Mas não sem continuar a contar com a ajuda do cliente, sempre. Como aqui na Tagarela não escrevemos releases não precisamos de aprovação em textos, mas sempre validamos as informações por e-mail para evitar qualquer ruído. Depois disso, para atender as demandas, precisamos que o responsável pela relação conosco esteja sempre acessível e que tenha agilidade. Afinal, tudo em jornalismo é muito rápido. O repórter sempre quer tudo “pra ontem”, e para não perder a pauta precisamos acompanhar esse ritmo. No caso de uma entrevista, seja ela presencial ou por telefone e e-mail, é importante que o porta-voz se faça disponível; se o jornalista pedir uma foto em alta resolução – 300 dpi, lembre-se disso – é importante que a tenhamos o mais rápido possível; se ele pede uma informação que não temos, precisamos ter meios de consegui-la rapidamente, se possível.

Infelizmente é mais comum do que gostaríamos que os clientes não façam seu papel. E se eles não fazem o deles, não temos como desempenhar o nosso. Já perdi boas pautas por não conseguir cumprir deadlines que não dependiam de mim, mas do porta-voz da empresa. Ou por não ter boas fotos em alta resolução, já que o cliente não viu valor em contratar um fotógrafo profissional que saberia valorizar seu produto. Ou ainda porque ele colocou em suas redes sociais algo que deveria ter vindo primeiro para a assessoria, já que repórteres gostam de exclusividade.

A verdade é que em qualquer relação de trabalho é importante que haja troca e sintonia. Nosso papel: fortalecer ou construir a imagem de quem nos contrata usando a imprensa. O do cliente: nos dar subsídios para isso.  Só quando isso fica claro, e todos cumprem suas partes nessa dinâmica, o trabalho pode de fato dar certo.