Qual é o verdadeiro papel do assessor de imprensa?

O tema ainda causa muita confusão entre os clientes, e pode gerar expectativas fora da realidade

Por Vanessa Santos - Em 22.04.2015


Tenho 12 anos de profissão, e me formei em uma época em que a maioria queria ser repórter e dar expediente nas redações, inclusive eu. Diria, inclusive, que pelo menos 90% desejava colocar sua carinha na televisão (nessa não me incluo). Mas, mesmo naquela época, o cenário estava complicado para isso. E, mesmo com as universidades nos preparando muito pouco para atuar na área, a maioria acabava alocada em assessorias de imprensa. Meu caso, aliás.

Desde então estive em algumas empresas, passei a amar o rumo que minha carreira tomou e, ao dizer para outras pessoas que sou assessora de imprensa, sempre me deparo com a mesma dúvida: “Tá, mas o que você faz? Você escreve para o jornal? Seu nome vai aparecer?” Até hoje me vejo respondendo essas mesmas perguntas até para (pasmem) meu pai!

Ainda há muita confusão sobre o assunto. Dia desses cheguei a ver um ex-colega de profissão dizer em uma rede social que “assessor de imprensa é um publicitário travestido de jornalista”. Se um jornalista formado, que já atuou na área, comete esse tipo de equívoco, imaginem o cliente que, embora esteja pagando pelo seu serviço, na maioria das vezes é um leigo. O problema é quando isso gera expectativas fora da realidade, exigências absurdas e, consequentemente, muito aborrecimento.

Qual é o papel do assessor de imprensa?

A assessoria de imprensa é uma atividade dentro da comunicação empresarial. O principal objetivo é fortalecer ou construir a imagem de uma marca, produto, empresa ou pessoa, mas por meio da imprensa em geral. Nesse cenário, a função do assessor é construir um bom relacionamento com os jornalistas e tornar-se uma fonte confiável para eles – fundamental principalmente em tempos de crise nas redações, que estão cada vez mais enxutas –, trabalhando para que as notícias de seu cliente apareçam na mídia e tragam mais visibilidade junto aos seus públicos-alvo. Para isso, é fundamental desenvolver uma boa estratégia de comunicação juntamente com o marketing.

A grande questão é que trata-se de um trabalho sem garantias, já que um assessor ético não tem como prometer a um cliente que vai coloca-lo sentadinho no sofá do Jô, por exemplo. Ou que ele vai ser capa da Veja. Afinal, trabalhamos com espaços não pagos, ao contrário da publicidade.

Durante todo esse tempo em que atuo na área, já tive que lidar com muitas exigências estranhas por parte dos clientes. É comum que eles pensem que temos alguma influência real no texto final ou na pauta do jornal, por exemplo. E é aí que reside provavelmente a maior diferença em relação à publicidade. Nela o profissional tem o domínio completo sobre o que vai escrever, podendo informar o que quiser e na hora que desejar, desde que pague, é claro. Já nós trabalhamos em “parceria” com o olhar do jornalista. E esse é o diferencial que as pessoas buscam quando nos contratam, pois uma matéria jornalística passa mais credibilidade. Funciona como uma espécie de chancela de qualidade/confiabilidade já que o público, na maior parte das vezes, recebe a informação como algo inquestionável.

Assessoria de imprensa é mídia espontânea. E nossa função é apresentar o cliente para os veículos de forma que eles fiquem atraentes para o jornalista. De parecido com os publicitários só uma coisa: somos vendedores. Mas vendedores de ideias, de assuntos que aliem os interesses do jornalista, do cliente e dos leitores pertinentes à área dele.