Relacionamento: Como perder amigos e alienar pessoas

Ou como manter a boa comunicação com o cliente e fazer a parceria funcionar

Por Felipe Vinha - Em 01.06.2015


Filme de 2008 com grandes nomes do cinema, como Kirsten Dunst, Megan Fox, Jeff Bridges e Simon Pegg, “Como perder amigos e alienar pessoas” é inspirado pela história real do escritor britânico Toby Young, quando ele tentou se estabelecer nos Estados Unidos, como jornalista na revista Sharp. Apesar de ser uma comédia que beira o “pastelão”, ela nos entrega algumas lições de relacionamento profissional.

A figura de Sidney

Sidney (Pegg) é a representação de Toby no filme. Ele quer apenas se estabelecer e “vender seu peixe” nos EUA como jornalista promissor, mas, no meio do caminho, esbarra com personalidades diferentes e, o mais importante, com egos diferentes à sua volta. Em um caso é preciso encarar um chefe que quer alavancar as vendas da revista, em outro temos a colega de profissão que vai fazer o que for preciso para ter seu livro publicado e, de quebra, ainda temos celebridades (e subcelebridades) que acham que valem mais do que cobram para aparecer na mídia ou se destacar no mercado.

Apesar de ser uma comédia, e de ser bem diferente da história real neste sentido, o longa-metragem possui sua carga dramática e de realismo quando falamos de comunicação. É quando Sidney tem que lidar com as personalidades fortes dos outros, e com a própria, é que vemos as similaridades com as relações profissionais que vivenciamos no dia-a-dia, principalmente quando trazemos o caso para a realidade de uma assessoria de imprensa – seja com jornalistas, clientes, grandes empresas, pequenos empreendedores e derivados.

A arte de se pôr no lugar

Ao lidar com um cliente, o assessor de imprensa deve ser PhD na arte de “se pôr no lugar”. Se por um lado é fácil “vender” um cliente grande e muito procurado para um jornal, por outro é difícil lidar com todo o cuidado que ele requer na hora de se comunicar com seu público. Ao mesmo tempo, se temos um cliente de pequeno ou médio porte, temos que saber tratar de seu produto como se fosse seu, e descobrir seus valores para transformá-lo em algo interessante ao meio de comunicação.

No filme, há momentos em que Sidney duvida de si mesmo ou que sente pena ao ver a verdadeira briga de egos que se desenvolve ao seu redor. Como uma pessoa, até certo ponto humilde, ele enxerga formas de resolver os conflitos simplesmente por entender a preocupação alheia, sem se alienar à sua realidade ou tentando não perder os poucos amigos que conquistou em sua estadia nos EUA.

É comum que papel do assessor de imprensa seja o de pensar como se fosse o próprio cliente. Quais são suas dificuldades? Por qual motivo eu teria vantagem em ser alvo de uma reportagem X e não da Y? Como eu me portaria em um momento de crise? Mas, para isso, ele também precisa conhecer o cliente – e só conhecemos com a boa e velha forma de comunicação que nunca sai de moda, também conhecida como “conversa”.

O bom e velho bate-papo

Não há mistérios. É preciso falar, e falar muito, com o cliente. Sempre estar em contato, saber das últimas novidades em primeira mão – e respeitando a confidencialidade disso. Há ainda a sabedoria em saber como tratar tudo isso frente a mídia, em contato com jornalistas, sem parecer aquele chato que envia release de cinema para o mailing da galera de culinária, certo?

Na verdade, o trato com os jornalistas também faz parte da equação. Ao somarmos um cliente bem assessorado e com a comunicação completa, com jornalistas acessíveis e que são fruto de bom relacionamento com o representante do cliente, temos um resultado positivo para ambos os lados – a empresa feliz por ter virado assunto naquela matéria e o redator satisfeito com seu resultado e com um bom caso tratado em seu texto.

Se nada der certo, quebre o vidro

O mundo não é um mar de flores e é preciso saber disso. É claro que as situações descritas mais acima não representam exatamente 100% dos casos do que ocorre entre cliente x assessoria x jornalista. O resultado por ser totalmente o contrário em muitos dos casos, e por uma série de fatores, sejam eles culpa de algum dos personagens da equação ou não.

Saber lidar com isso também faz parte de saber como tratar a relação entre mídia e a empresa que você representa. Controlar imprevistos e dominar a arte do clássico “jogo de cintura” é uma outra peça fundamental na hora de falar com pessoas e fazer amigos. Quebrar o vidro e fazer uso da mangueira de água ou do machado de bombeiro.

Comunicação e saber lidar com outras pessoas são pontos-chave para o bom relacionamento com o cliente e com o jornalista, para criar interesse nos dois lados. “Como perder amigos e alienar pessoas” não é o único exemplo de um filme que explora isso. Na verdade ele nem é o melhor exemplo para isso, mas, hey, eu consegui sua atenção com o título, certo?