Satoru Iwata: quando o mundo perde um grande empreendedor

Presidente da Nintendo faleceu aos 55 anos e deixou um grande legado.

Por Felipe Vinha - Em 14.07.2015


Satoru Iwata, presidente da Nintendo, gigante dos videogames, faleceu em 11 de julho semana, aos 55 anos. Após passar quase todo o último ano com complicações de saúde, o executivo tombou frente a um câncer e teve complicações irreversíveis. Iwata, contudo, deixa este mundo com boas lições, como um empreendedor nato e com visão focada nas conquistas – mas com algumas derrotas pelo caminho.

Os primeiros passos

A morte de Iwata, para a indústria moderna de videogames, é tão importante quanto foi a partida de Steve Jobs para a Apple e para o mundo dos dispositivos móveis e computadores. De forma equivalente, os dois foram mentes brilhantes para suas empresas e usuários famintos por novidades tecnológicas, e com histórias diferentes, porém com lições similares.

Em 2002, Iwata assumiu a presidência da Nintendo, mas ele não nasceu CEO, nem com uma caneta na mão. O executivo japonês começou sua carreira como programador na empresa do Super Mario, com alguns feitos que só foram possíveis por conta de sua determinação e foco no resultado – algo que os japoneses, em geral, levam bem a sério.

Satoru Iwata foi um gênio da programação. Ele usou suas habilidades para salvar e criar diversos jogos de sucesso ao longo da história da Nintendo, incluindo grande influência em games da série “Pokémon”, que sempre venderam milhões, e que receberam uma solução de compressão de dados do então jovem Iwata, o que salvou conteúdo e possibilitou a entrada de mais código, só para citar um exemplo, de vários.

Já no cargo de CEO, ele criou aparelhos como Ninteno DS e Wii, utilizando estratégias do “Oceano Azul”, quebrando paradigmas da indústria com controles inovadores e formas bem diferenciadas de se aproveitar o videogame em casa, como a tela sensível ao toque do DS, até então uma novidade nos portáteis, e o joystick com sensor de movimentos do Wii, que mais parecia um controle remoto.

O incansável CEO

Suas invenções não foram sucesso por um acaso. Wii e DS, por exemplo, venderam mais de 150 milhões e 100 milhões de unidades no mundo todo, respectivamente, números que até hoje são recorde para a empresa e só não superaram o PlayStation 2, da concorrente Sony, que possui a marca de 155 mi comercializados.

Mesmo assim, Satoru Iwata provou que era humano, e por isso imperfeito. Após o grande sucesso das novas plataformas, a Nintendo passou por um período de crise de criatividade, com poucos jogos e aparelhos que chamaram pouca a atenção no competitivo mercado atual. O Wii U, sucessor do Wii, detém a marca de console com menos vendas na história da Nintendo.

Com a empresa no vermelho, em vez de demitir, Iwata optou por chamar a culpa para si. Assim, em 2014, anunciou que cortaria o seu próprio salário pela metade, com um sinal de comprometimento pelo sucesso da empresa e pela responsabilidade de lidar com os problemas, por ser o cabeça da “Big N”.

Infelizmente, com as complicações de saúde, as participações públicas de Satoru Iwata nas apresentações da empresa, em eventos ou pela Internet, foram cada vez mais minguadas. Na E3 2015, evento de games que ocorreu em junho, nos EUA, o executivo foi representado em um vídeo bem-humorado, como uma marionete do seriado Os Muppets. Em seu Twitter e canais oficiais de comunicação, Iwata lamentou não poder estar perto dos fãs e também o fato da Nintendo não estar agradando nos últimos tempos.

Seja como for, o CEO deixou a vida como um grande empreendedor e um exemplo a ser seguido. Por mais que os profissionais japoneses sejam vorazmente mais obstinados, graças a uma cultura de pressão e cobranças constantes ao longo dos anos, Iwata, no fundo, era humano, com erros e acertos, além de boas lembranças e histórias.

Se você jogou Super Mario, Pokémon, Mario Kart ou qualquer grande jogo da Nintendo na vida, possivelmente foi influenciado por Iwata indiretamente e nem sabe. Vale a pena tirar a poeira daquele Super Nintendo antigo e prestar a sua homenagem. O legado, sem dúvidas, é positivo.