Edools, startup brasileira, é acelerada por agência internacional

Edools foi a única startup brasileira a participar do programa de 2015 da 500 Startups

Por Thalita Linhares - Em 15.02.2016


Para os empreendedores de plantão, ideias inovadoras são sempre oportunidade de negócios. A partir de um problema que os sócios Rafael Carvalho, Maurilio Alberone e Bernardo Kircove tiveram em uma empresa para transformar treinamentos em cursos online, eles criaram a Edools, que é uma plataforma para a construção de ambientes de ensino na web. A ideia rendeu à startup a participação no 500 Startup Accelerator Program em Mountain View, no Vale do Silício.

Durante o programa, a aceleradora 500 Startups fornece investimentos entre 10 mil e 250 mil dólares, além de receber consultoria de mais de 150 mentores de todo o mundo.

Fundada em maio de 2013, a Edools atende a mais de 100 instituições educacionais como Grupo Ser Educacional, Terra Apoio Escolar, Aprende, Agência Mestre, Instituto Ricardo Melo, entre outras, e com o aporte a empresa mira o mercado internacional.

Conversamos com Rafael Carvalho e ele contou ao blog da Tagarela um pouco da trajetória antes de chegar a uma das aceleradoras mais importantes do mundo.

O que é a Edools? Como teve a ideia?

A Edools é uma plataforma para a construção de ambientes de ensino online. Nossa solução alia simplicidade, o suficiente para que qualquer pessoa consiga criar uma escola online em alguns minutos e já comece a vender, e robustez, permitindo que grandes instituições como Endeavor, Terra e outras adotem tanto para comercialização de cursos como para treinamento de funcionários.

A ideia nasceu a partir de um problema que eu estava vivendo com meus outros dois sócios em outra empresa que trabalha com treinamento para empreendedores, a Bizstart. Nós queríamos transformar os treinamentos oferecidos em cursos online e não encontramos uma solução que atendesse ao que precisávamos. Então decidimos resolver nosso problema criando uma solução própria que mais tarde deu origem a Edools.

Você sempre quis empreender, sempre foi um empreendedor ou foi uma oportunidade?

Eu sempre gostei de criar coisas e resolver problemas. Abri minha primeira empresa aos 16 anos (durante a bolha da internet no final da década de 90) para resolver um problema meu e dos meus colegas com esquecimento de aulas e provas. Chamei a empresa de Esquecido.com :-) e desde então nunca mais parei de empreender.

Como foi a caminhada até chegar na 500 startups? A Edools já tinha sido acelerada antes?

Nós criamos a Edools com recursos próprios e nunca tínhamos recebido investimento antes da própria 500 Startups. Desde o início focamos em construir um bom produto e crescer com dinheiro de clientes. Por isso, nossa caminhada até a 500 Startups foi totalmente focada na entrega de resultados no negócio.

Por que a 500?

Nós queríamos estudar o mercado americano para uma possível expansão, mas logo aprendemos que é muito difícil para uma empresa estrangeira entrar lá sem uma base e um “selo” forte. Então precisávamos buscar esse selo e tradicionalmente a 500 Startups é uma aceleradora que ama e abraça a diversidade como nenhuma outra. Além disso, dois grandes amigos (Elton, Contentools e Gabriel, Linte) já estavam sendo acelerados na turma anterior e deram ótimas recomendações. Pronto, estava definido qual seria nosso alvo.

A que você atribui essa conquista? Quais foram os fatores principais que te levaram até esse momento?

O principal fator que nos levou a essa conquista foi ter bons resultados para mostrar aos avaliadores que nosso mercado era bom, e que nosso negócio estava crescendo num ritmo bem interessante. Claro que a recomendação de nossos amigos que foram acelerados em turmas anteriores (a 500 Startups valoriza muito a recomendação) ajudou bastante e ter um sócio fora da curva para ir fazer a entrevista presencialmente também foi um diferencial. Mas no final, se não tivéssemos resultados para mostrar não teríamos entrado.

E como foi a experiência? É um lugar onde todos queriam estar…

A experiência foi muito boa. Na nossa turma entraram 28 startups, 61% com pelo menos um founder estrangeiro e 46% com pelo menos uma mulher como founder. A troca de experiência com toda essa gente do mundo todo foi incrível.
Além disso, eu embarquei nessa jornada com esposa e filha pequena, o que intensificou ainda mais a experiência de empreender e morar no Vale do Silício, o berço de grandes startups. Cresci bastante com tudo que vi e aprendi nesse período.

O que mais aproveitou? Quais foram os aprendizados? O que mudou na sua forma de pensar?

Difícil dizer o que mais aproveitei, tentei aproveitar ao máximo tudo que podia. E na volta fiquei com sentimento que deixei de aproveitar muita coisa. Mas se fosse escolher, acredito que as sessões de bate papo com outros empreendedores me marcaram bastante. Toda quarta-feira a tarde a 500 Startups trazia um empreendedor de fora para contar sua trajetória e compartilhar aprendizados. Essa parte era incrível.
Voltei mais focado em resultados do que quando entrei. E com uma visão bem mais madura de como é desafiador criar uma startup para impactar o mundo.

Quais os conselhos e dicas que daria para quem busca o mesmo objetivo?

Para não perder o foco, vou dar apenas um conselho que acredito ser o mais importante: concentre-se em entregar resultado. O que é resultado no seu negócio: receita, número de usuários etc? Coloque todos os seus esforços em crescer esse número, sem firulas e sem maquiagem.