Você tem dado a devida importância ao Online?

Valorizar somente o veículo impresso pode ser um grande erro.

Por Monique Fernandes - Em 07.10.2015


É muito comum um cliente chegar na Tagarela e falar que “não quer Online”, ou pedir para o nosso esforço maior se concentrar nos impressos (jornais e revistas). Sempre que ouço isso fico pensando se realmente esse cliente sabe como está o mercado de jornalismo e se ele está antenado com os novos tempos. O número de veículos online tem crescido muito nos últimos tempos. Quando falo de veículos, não falo somente dos grandes portais e sites de notícia, falo também dos blogs. Além disso, existem os perfis influenciadores no Twitter e Instagram que passaram a ser grandes fontes de notícias.

Quando eu era estudante universitária, o jornalismo online tinha uma representação pífia no cenário. Para piorar, havia uma desconfiança geral entre os profissionais, ninguém sabia como escrever para o online e, normalmente, as notícias tinham no máximo cinco linhas, que depois virariam o primeiro parágrafo das matérias que saíram nos jornais impressos no dia seguinte. Naquele tempo, só existiam três veículos online: Terra, UOL, Globo.com – o G1 seria lançado pouco tempo depois. Os sites só existiam para que aquele veículo não perdesse o famoso “furo de reportagem.” Nada além disso! Blog não passava de uma ferramenta narcisista, foi criado para ser um diário online; onde o autor contava os acontecimentos do seu dia, colocava memórias de viagem etc. Lembro de ver um vídeo na faculdade em que mostrava um dispositivo onde as pessoas leriam o jornal em um dispositivo ainda sem nome, algo como computador de mão, porém um pouco maior que um Palm-top. Era surreal para a época!

Em 2003 isso parecia utopia. Algo praticamente impossível de acontecer. Eu mesma pensava que nunca compraria um objeto que só serviria para ler jornal. Não imaginava que os tablets chegariam com tudo alguns anos depois e “que ler jornal” seria a menor das funções. Passado um pouco mais de uma década, o online tem conquistado cada vez mais o seu território. Existem jornalistas especializados em escrever para a internet; existe uma forma própria de escrever para esse público. E os jornais impressos concorrem com os seus próprios sites; redações diferentes, leitores diferentes.

Isso tudo que estou falando se reflete em números. Segundo pesquisa recente divulgada pela Associação Nacional de Jornais, em 2014 houve um crescimento de 118% na circulação digital paga dos diários impressos. Além disso, 92% dos usuários de smartphone leem notícias pelo celular. No primeiro semestre de 2015, foram mais de 500 jornalistas demitidos nas redações de impresso no Brasil inteiro, a Editora Abril acabou e/ou vendeu em torno de nove revistas que não eram tão rentáveis, o jornal Brasil Econômico encerrou as suas atividades em julho de 2015. A editora Escala, por enquanto, fechou uma revista. O Infloglobo acabou com suplementos que circulavam encartados no jornal O Globo.

Diante de todos esses números eu me pergunto: Por que muitos clientes que chegam em assessoria ainda dão mais valor à meia página de jornal ou revista, ao invés de uma matéria no online? Entendo o glamour em ter uma matéria de página inteira, de um jornal de renome, emoldurada na parede do seu escritório, mas nem sempre traz o resultado imediato.

Alguns clientes nossos já perceberam o valor do online, preferem publicações em sites e blogs do que impresso, pois, imediatamente veem o impacto no seu negócio, picos de acesso e vendas em sites. Isso sem contar o retorno que tem um postarem em redes sociais de pessoas que são formadoras de opinião online. A foto de um produto no Instagram, desperta o desejo de consumir e pode fazer com que rapidamente ele se esgote. Diante de tudo isso, eu pergunto: Você está dando a devida atenção ao online?